NOVA ESPÉCIE BRASILEIRA DE AMAZONA

ROLF GRANTSAU* e HÉLIO F. DE ALMEIDA CAMARGO**
Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo CP 7172, São Paulo, Brasil
(Com 5 figuras)
 
A. kawalli: macho adulto, vivo, e detalhe da cabeça e bico; (1) vista dorsal da retriz central; (2) vista dorsal da retriz lateral externa.
A. f. farinosa: (3) vista dorsal da retriz central; (4) vista dorsal da retriz lateral externa.
RESUMO

Os autores descrevem e figuram uma nova espécie brasileira de Amazona Lesson, 1831, A. kawalli, baseados em exemplares procedentes do alto rio Juruá, Amazonas (holótipo e 1 parátipo) e região ao sul de Santarém, Pará (1 parátipo e 2 exemplares vivos). A espécie foi confundida, durante muitos anos, com A. f. farinosa (Boddaert, 1783) da qual se distingue, nitidamente, porém, pelos caracteres descritos observados na ave viva ou nas peles, como grandes manchas vermelhas nas retrizes laterais externas, larga faixa vertical desnuda, amarelo fosca, na base do bico, no holótipo e dois parátipos, substituindo a faixa branca da ave viva, colorido do bico, etc., como se vê nas Figuras anexas. Pelos motivos expostos, nada podemos adiantar sobre uma possível coincidência das áreas de distribuição de A. f. farinosa e A. kawalli, bem como sobre uma possível distribuicão disjunta desta última espécie.

Palavras chave: A. kawalli; rio Juruá; Santarém.

ABSTRACT
A New Brazilian Species of Amazona (Aves, Psittacidae)

We present a description and Figures of a new Brazilian Amazona spécies, A. kawalli, based on specimens from high rio Juruá (Amazonas State; holotype and one paratype) and south Santarém region (rio Tapajoz, Pará State; one paratype and two alive specimens). A. kawalli, sp.n, has been confused, for a long time, with A. f. farinosa, from which can be clearly distinguished, however, by characters observed at the alive bird or else in prepared skins, as large red spots at the external lateral rectrices, large naked vertical band yellow fuscous at the beak base, which at the alive specimens is white, and beak color pattern, as Figured. As we write, we cannot say anything on the possible coincidence of A. f. farinosa and A. kawalli distributions; the same on the possible disjunt distribution of A. kawalli.

Key words: A. kawalli, Juruá river; Santarém.

INTRODUÇÃO

Em outubro de 1970 Alcides Vertematti doou a um de nós (RG), um psitacídeo do gênero Amazona que havia morrido no seu criadouro. Alcides já havia observado, naquela época, que esta ave e mais uma outra, viva, que ele possuía - adquiridas de um comerciante de Santarém, Pará, e sem procedência certa - eram diferentes dos demais exemplares de A. f. farinosa, identificação até então atribuída àquelas duas. Assim sendo RG simplesmente taxidermizou e guardou a pele na sua coleção. Em 1988 Nelson Kawall chamou a atenção de RG sobre um exemplar de Amazona, de mais ou menos dois anos de idade pertencente a Nelson, idêntico àquele de A. Vertematti, ainda vivo e no momento com 18 anos, no criadouro de N. Kawall. Na ocasião este apontou diversas diferenças entre o exemplar dele - agora com procedência exata, 100 km ao sul de Santarém, Pará - e os de A. f. farinosa. Kawall já havia, também, visto uma pele da nova espécie, procedente de Santarém, Pará, e mantida junto com exemplares de A. f. farinosa na coleção do Museu Paraense "Emilio Goeldi", Belém, Pará. Comparando, então, aqueles três espécimes com vários representantes de A. f. farinosa da coleção do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo - no meio dos quais encontramos mais duas peles da nova espécie - e estudando a bibliografia, chegamos à conclusão que, de fato, estávamos diante de uma espécie distinta e ainda não descrita. Daí porque resolvemos denominá-la.

Amazona kawalli, sp.n.

Holótipo - Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo, n° 2727, fêmea, rio Juruá, Amazonas, Brasil, Ernesto e Walter Garbe col., fevereiro de 1902 (= região abrangida por um raio de uns 75 km a partir do Seringal de Mato Piri, na margem direita do rio Juruá, rio abaixo da cidade de Eirunepé, na margem esquerda do rio Juruá (6°38'S e 69°50'W).

Parátipos - MZUSP, n° 3478, fêmea, mesmos dados acima; coleção Rolf Grantsau, n° 7577, macho, Santarém, Pará, Brasil, Alcides Vertematti leg., 25.X.1970.

Diagnose - Pertencente ao grupo das formas de Amazona com o alto e/ou lados da cabeça de colorido uniforme, isto é, sem as penas azuis, vermelhas, amarelas ou brancas contrastando com o verde (A. agilis (L., 1758), A. ochrocephala auropalliata (Lesson, 1842), A. mercenaria canipalliata (Cabanis, 1874) e A. f. farinosa) esta nova espécie foi confundida com A. f. farinosa, largamente distribuída no Brasil, inclusive na região amazônica, da qual porém se distingue pelos seguintes caracteres: 1. mandíbula amarelo fosco, maior parte da maxila do mesmo colorido, restante cinza, na ave viva (vide Fig.); 2. larga prega cutânea branca na ave viva (vide Fig.), substituida nas peles por região desnuda, amarelo fosco, na posição indicada na ilustração anexa, sendo certo que a referida prega estende-se à porção inferior da mandíbula por toda a largura da sua base; 3. anel perioftálmico cinza escuro na ave viva; 4. bordo carpal verde amarelo claro, sem nenhum vestígio de vermelho; 5. colorido geral bem mais verde puro; 6. colorido das retrizes laterais extemas como se vê na Fig. 2, vista dorsal; 7. comprimento da porção final, dorsal, verde amarelo claro das retrizes centrais menor (cerca de 20 mm em vez de 40 mm), Figs. 3 e 4; 8. tanto quanto as medidas de apenas 3 peles da nova espécie, quando comparadas com as de A. f. farinosa (25 machos e 8 fêmeas) permitem-nos afirmar, aquela parece-nos ser menor que esta.

Distribuição - Além dos 2 exemplares do rio Juruá, Amazonas, conhecemos mais 3, o de n° 7577, apanhado em 25.X.1970, e outros dois, vivos, da coleção de Nelson Kawall, todos procedentes de uma região situada a, aproximadamente, 100 km ao Sul de Santarém, localidade situada na margem direita do rio Tapajoz, na sua confluência com o rio Amazonas, Pará, conforme informações fidedignas que Nelson Kawall gentilmente nos prestou. A confusão, até o momento, entre A. f. farinosa e A. kawalli impede-nos de dizer se as distribuições geográficas se superpõem ou não. Seguramente sabemos que exemplares de A. f. farinosa, existentes na coleção do MZUSP, foram coletados em Eirunepé, a 60 km portanto, dos dois de A. kawalli da mesma coleção; também este Museu tem 1 exemplar de A. f. farinosa (macho n° 58.367) apanhado em Fordlândia, na margem direita do rio Tapajoz, Pará, a mais ou menos 80 km ao sul de onde, com certeza, provém o macho de A. kawalli e os outros dois, ainda vivos (cerca de 100 km ao sul de Santarém, Pará). Pela mesma razão, acrescida provavelmente pelo fato da região entre os rios Juruá e Tapajoz ter sido pouco trabalhada pelos colecionadores, não se pode dizer, com base no exame da literatura (Gyldenstolpe, 1945 e 1951; Snethlage, 1908 e 1909 e Hellmayr, 1907 e 1910) que a distribuição da nova espécie seja disjunta. A partir de agora, e com maior número de exemplares de A. kawalli colecionados, é também possível que a sua distribuição geográfica seja bastante ampliada.

Holótipo - Mandíbula e maior parte da metade basal da maxila amarelo fosco, cúlmen e porção final da maxila amarelo escuro, faixa nua, amarelo fosca, substituindo aquela branca, da ave viva, representada nas Figuras anexas; estreita zona nua em torno dos olhos; cabeça verde esmeralda, nuca e alto do dorso verde acinzentado com a margem das penas escuras, o resto do corpo e coberteiras das asas verde grama escuro. Borda carpal verde amarelo claro; primárias, a extema marron enegrecido, quase preto, as subseqüentes preto azulado com barba externa verde na metade basal; as primeiras seis secundárias com barba interna preta e extremidade azul na barba externa, as três primeiras com barba externa vermelha formando um espelho, as três em seguida com barba externa verde, as restantes inteiramente verdes; coberteiras inferiores da asa verde até verde azulado. Cauda: o par extemo de retrizes, verde na base da barba externa, e com uma estreita faixa vermelha ao longo do raque, estendendo-se até a metade da pena; a borda é azul, mais puxado para o roxo junto à base verde, extremidade azul claro; barba interna amarela na base, seguindo-se o vermelho até a metade da pena, depois uma mancha subterminal verde escura, separada do vermelho por uma faixa preta, larga mancha verde amarelada na extremidade; os dois pares de retrizes subseqüentes com menos vermelho, as áreas verde escuras mais largas e as barbas externas sem azul; os três pares centrais verde escuro com larga extremidade verde amarelada, infracaudais verde amareladas.

Parátipo - n° 3478, fêmea - semelhante ao holótipo, coloração geral mais pálida e fosca; remiges primárias com estreita margem ocre nas pontas; retrizes um tanto mais pontiagudas. Estas caracterrsticas sugerem tratar-se de um exemplar mais jovem.

Parátipo - n° 7577, macho - Semelhante ao holótipo, tendo o azul e o vermelho da asa e da cauda mais extensos e brilhantes. Um segundo, vivo, com mais de 18 anos de idade, encontra-se, por ora, junto com um outro, de mais ou menos 2 anos de idade, no criadouro de Nelson Kawall. Esta ave assemelha-se ao parátipo fêmea do rio Juruá.

Medidas - Foram medidos 25 machos e 8 fêmeas de A. f. farinosa e 3 da nova espécie, a maior parte pertencentes à coleção do MZUSP.

A. f. farinosa (machos)

Cúlmen 36 mm a 43 (X=38.84); Asa 224 a 259 (X=242.24), Cauda  132 a 159 (X 144.24)

A. f. farinosa (fêmeas)

Cúlmen 34 a 40 (X=37); Asa 226 a 245 (X=233.75); Cauda 126 a 147 (X=137.12)

A. kawalli

Holótipo, n° 2727, fêmea: Cúlmen 36; Asa 227; Cauda 122; Parátipo, n° 3478, fêmea: Cúlmen 36; Asa 229; Cauda 120; Parátipo n° 7577, macho: Cúlmen 35; Asa 240; Cauda ?

Exemplares examinados - Além das 3 peles de A. kawalli examinamos 2 exemplares vivos, já mencionados. De A. f. farinosa, todos procedentes do Brasil, tivemos em mão 34 exemplares, 25 machos e 9 fêmeas, assim distribuídos: Amazonas e Pará, 25; Bahia, 2; Espirito Santo, 4; Minas Cerais, 2; São Paulo, 1, todos da coleção do MZUSP.

Comentários - Nos rótulos dos dois exemplares da nova espécie, o de n° 2727 (holótipo) e o de n° 3478 (parátipo) consta, como localidade, Brasil, rio Juruá, Amazonas, o nome do colecionador e a data da coleta, fevereiro de 1902. Graças, porém, às contribuições de H. von Ihering (1904) e de Oliveira Pinto (1945) ficamos sabendo, que, em fevereiro de 1902, Ernesto Garbe e seu filho Walter Garbe partiram de São Felipe (depois João Pessoa, atualmente Eirunepé, na margem esquerda do rio Juruá) rumo aos seringais de Dejedá e Mato-Piri, situados a 60 km daquela localidade, rio Juruá abaixo, na sua margem direita (vide estampa VIII em H. Von Ihering, 1904). Nas recordações de viagem Walter Garbe relatou a Oliverio Pinto (1945, nota 1), que foi escolhido o Seringal de Mato-Piri, distante do de Dejedá uns 10 km, como base de operações, coletando a partir dali em um raio de "…uns 75 km, em zona de vegetação quase uniforme". Assim sendo a localidade tipo de A. kawalli pode ser fixada, com certa precisão, como sendo a região do seringal de Mato-Piri, abrangendo assim não só o seringal de Dejedá, como também as matas do rio Chiruã, pequeno afluente da margem direita do rio Juruá. Nas declarações de Walter Garbe, acima citadas, lê-se: "…em princípios de março de 1901, aproximadamente, descemos o rio Juruá 4 dias de viagem, fazendo estação nos seringais de Dejedá e Mato-Piri, …". A data certa, do mês e ano, é fevereiro de 1902, como se vê em H. Von Ihering (1904:385) e em Oliverio Pinto (1945:274).

É antiga a confusão entre exemplares pertencentes a A. f. farinosa e aqueles da nova espécie. H. Von. Ihering (1904) arrolou à pagina 449, sob o nome de A. inornata (= A. farinosa inornata, atualmente considerada inseparável da raça típica), os três papagaios coletados pelos Garbe no rio Juruá, os de n° 2727 e 3478, A. kawalli, e o de n° 2258, um macho de A. f. farinosa, apanhado em São Felipe. H. Von Ihering e Rodolpho Von Ihering (1907) arrolaram os exemplares do rio Juruá como A. farinosa. Oliverio Pinto (1935), estudando A. f. farinosa escreve que o caráter vermelho da cauda, usado por T. Salvadori (1891) como sendo de valor diagnóstico nos papagaios do grupo farinosa "…não tem caráter absoluto, por isso que em duas fêmeas do rio Juruá (n° 2727 e 3478) as rectrizes laterais são fortemente tingidas de vermelho na base". Coerente com a sua opinião Oliverio Pinto (1938) arrolou, sob o nome de A. f. farinosa, os dois exemplares acima, e, no "Novo Catálogo das Aves do Brasil", primeira parte (1978), limitou-se a dar a distribuição geográfica de A. f. farinosa sem qualquer comentário. No trabalho dedicado às aves trazidas do então Território do Acre, Oliverio Pinto (1954) não alterou o seu antigo parecer, porém, examinando novamente as duas fêmeas do rio Juruá, "…com as retrizes laterais fortemente tingidas de vermelho no trecho basal", afirma que "A menos que signifique juvenilidade, afigura-se-nos não passar a referida particularidade de mera variação individual". E assim as identificou como A. f. farinosa.

Nelson Kawall gentilmente nos chamou a atenção para o livro de Bosch e Wedde (1981/1985) onde, à página 184 se vê uma fotografia colorida de A. kawalli, ali identificada, porém, como A. farinosa virenticeps Salvadori, 1891. Esta subspécie tem pequena distribuição na América Central (oeste do Panamá, Costa Rica e Nicarágua; J. Forshaw, 1973). A mancha vermelha pronunciada na cauda e a prega cutânea branca, bem visíveis na fotografia, inexistentes em virenticeps, apontam para a nova espécie. Note-se que na chave de Salvadori (1891) das espécies do gênero "Chrysotis" (= Amazona Lesson, 1831), virenticeps está, à página 269, juntamente com guatemalae, farinosa e inornata, entre as formas que não têm vermelho na cauda ("no red colour on the tail"). A única coincidência reside na borda carpal, verde amarelo claro em A. kawalli e A. f. virenticeps.

Agradecimentos - O nome da espécie é uma justa homenagem a Nelson Kawall, que há muitos anos vem se dedicando em São Paulo, com entusiasmo e competência, à criação e ao estudo dos Psitacídeos. Agradecemos a Alcides Vertematti a doação do exemplar de A. kawalli, bem como as informações que gentilmente nos prestou sobre esta especie.

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    * Estagiário, Seção de Aves MZUSP
    **Seção de Aves MZUSP
Rev. Brasil. Biol., 49(4):1017-1020
Novembro 1989 - Rio de Janeiro, RJ

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