Peixes Ornamentais em Aquário

Tartaruga Esperta

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Comentário

Moro na cidade de Rio Grande, sul do Rio Grande do Sul, onde curso a faculdade de Oceanologia. Aliás, os outros quatro locatários da casa também estão se graduando nesse curso. Dessa forma, considero perfeitamente normal que todos nós tenhamos um significativo interesse por seres aquáticos, bem como por aquários. Foi exatamente por esse motivo que a nossa colega, após quase pisar em cima de uma pequena tartaruga que passeava distraidamente em seu jardim, resolveu levá-la até nossa casa para que tratássemos dela. No início, Donatelo, como foi prontamente denominada a nossa tartaruguinha, parecia bastante apática. O aquário em que a colocamos era bastante pequeno (uns 20 litros) e continha uma grande pedra no meio, um pouco emersa, permitindo que o Donatelo pudesse sair da água. Era inverno, bastante frio no sul, provavelmente mantendo baixo o metabolismo da tartaruga, o que a tornava tão monótona. Dificilmente víamos ela comer os apetitosos camarões que lhe oferecíamos.

O tempo foi passando e a temperatura aumentava com a proximidade do verão. Já podíamos admirar o belo nado do Donatelo que, vez por outra, até arriscava sair da água, escalando a grande pedra. A pequena carpinha que convivia com ele, bem como um dos dois limpa-fundos, foram devorados. Nossa tartaruga, decisivamente, não parecia a mesma. Teria o demônio se apoderado de seu estranho corpo? Donatelo já nadava compulsivamente pelo minúsculo aquário. Dificilmente a víamos quieta.

Certo dia, cheguei da faculdade e fui observar como estava a tartaruga. Olhei para o aquário e não a encontrei. Procurei atrás da grande pedra e ela também não estava. Havia uns dez centímetros entre a borda do aquário e a parte mais alta da pedra. Talvez fosse exatamente esse o tamanho do Donatelo. Teria ele ficado em pé sobre a pedra e incorporado seu instinto alpinista, escalando aqueles dez centímetros de vidro? Olhei para o limpa-fundo que ainda restava e senti certa angústia, sabendo que ele seria incapaz de me explicar como o Donatelo havia fugido. Aquele aquário já não comportava mais sua necessidade de explorar novos mundos.

"O Donatelo fugiu!!!"

Foi esse o grito que pôde ser ouvido através das paredes da casa naquele momento. Começamos a busca, procurando sobre a grande prateleira que suportava o aquário, arredando inúmeros enfeites, o vídeo-cassete e a televisão. Em seguida, veio a vez do o chão, sob o sofá e as poltronas, nos cantinhos, sob a mesa, em direção à cozinha, aos quartos, no banheiro... E nada, o "Dona" havia evaporado. Caso realmente tivesse saltado da prateleira, a queda de 1,5 metros provavelmente o teria matado. Anoiteceu. Estávamos sentados no sofá, vendo televisão, quando descobri um lugar em que ainda não tínhamos procurado. Tratava-se de uma grande tina de bronze, onde guardávamos lenha para a lareira durante o inverno e algumas revistas nos meses de verão, e que ficava exatamente em baixo da prateleira do aquário. Caso o salto suicida da nossa tartaruga tenha se dado sobre as revistas da tina, ela poderia estar viva, lá dentro. Em seguida, meu colega foi até lá para verificar e a nossa surpresa: o Donatelo estava em suas mãos, feliz, faceiro e meio tonto, talvez.

A partir daquele dia passamos a acreditar na possível inteligência da nossa tartaruga. Primeiro, por escalar o aquário e, segundo, por escolher o único lugar em que teria chances de saltar e continuar viva, com a queda amortecida pelas revistas. Porém, para nossa sorte, sua inteligência ainda é um pouco limitada, já que ela não foi capaz de perceber que não poderia escalar a tina, ficando presa lá dentro. Pegamos o Donatelo e o devolvemos para o aquário.

Contribuído por Fernando Campello
                                       

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