Peixes Ornamentais em Aquário

Lama "Traiçoeira"

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A História que vou contar ocorreu a uns dois anos atrás sábado a tarde:

Saí com meu amigo Rogério para ir pescar no rio Tramandaí, no município de Osório, litoral do Rio Grande do Sul. O Rogério, que não era muito chegado a pescarias, foi com uma caixa de isopor cheia de cervejas. Quando chegamos no rio, descemos caminhando pelo leito por quase um quilômetro. Pulamos cercas, invadimos propriedades rurais e atravessamos pequenos córregos lodosos. A tarde prometia muito, eu interessado em pescar um grande bagre e trazer para meu laguinho de jardim e ele interessado nas cervejas. A noite começou a chegar, nada de bagre e os mosquitos chupavam nosso sangue. Agora precisávamos voltar todo o caminho e o sol desaparecia muito rápido. Quando chegamos no córrego eu atravessei pela ponte que era improvisada com uma tora de eucalipto e o Rogério:

- É muito fundo? Eu acho que não vou conseguir passar por este pau, eu vou por baixo...

Então ele colocou um pé que afundou na lama até as canelas, outro pé à frente, que afundou até o joelho. Na tentativa de escapar daquele lodo ia afundando cada vez mais. Ele já estava com a lama até o meio da cocha. A água era rasa mesmo, uns 15 cm, mas escondia um lodo bem profundo, e ele disse:

- Perdi meu chinelo.

Eu dava gargalhadas do outro lado porque a cena era muito engraçada, ele atolado no lodo com o chinelo preso lá embaixo e com o pé procurando encaixar no chinelo, daí ele falou:

- Consegui pegar! Puts, perdi o outro...

Eu não agüentava mais de tanto rir. Pescarias sempre tem Histórias para se guardar para o resto da vida, e essa era demais... Na realidade eu queria que ele tivesse atravessado por cima, e que tivesse pescado comigo, mas acho que ele não conseguiria mesmo passar pela ponte e isso já tinha valido o dia, daí ele gritou:

- Áiiiii... um bicho me mordeu.

Quando ele finalmente chegou do outro lado o nosso susto: dois furinhos redondos na barriga da perna e escorria muito sangue.

- Eu acho que uma cobra me mordeu.

- E vamos rápido para o hospital.

Eu sabia que havia muitas cobras naquele lugar, e naquela tarde mesmo, já tínhamos visto uma jararaca. Eu precisava correr porque a peçonha destes animais age rápido. No carro eu ia interrogando meu amigo:

- O que tu tá sentindo?

- Tá ficando quente. Tá queimando minha perna...

Ainda restavam mais uns 5 quilômetros até a cidade e eu precisaria perguntar onde que ficava o hospital porque eu não sabia...

- E agora, o que tu tá sentindo?

Duro como uma estaca, branco feito leite, com a voz embrulhada ele me respondeu:

- Meu pé tá formigando.

- Fica tranqüilo cara que nós já estamos chegando...

A vida do meu amigo se esvaindo e eu pedindo a Deus para não nos abandonar naquela hora, e que tivesse soro antiofídico no hospital. Era um sonho, aquilo não poderia estar acontecendo e eu só precisava de uma boa notícia. Finalmente a notícia chegou: O Rogério não havia sido picado por uma cobra, ele foi mordido por uma traíra. Infeliz daquele peixe que chupou o sangue alcoólico daquele mala!

A traíra, Hoplias malabaricos, ocorre desde a América Central até a bacia do Prata. A cor varia do negro na parte dorsal, ao pardo escuro lateral que vai clareando até o ventre. Na cabeça achatada está uma enorme boca com um maxilar inferior saliente, o que lhe dá o aspecto da não desmentida agressividade. A boca é ornamentada principalmente por quatro aguçadíssimos dentes incisivos, que lhe retratam o hábito alimentar carnívoro.

Na época da reprodução as traíras se reúnem em casais e preparam o lugar da desova, a pequena profundidade quando podem de 20 ou 30 cm e limpam o fundo fazendo uma pequena depressão. No dia da desova a fêmea fica próxima aos ovos e o macho, nadando sobre eles, os fecunda. No dia seguinte a fêmea abandona-os completamente à guarda do macho e se afasta. No primeiro e segundo dia o macho defende os ovos e não permite que sejam tocados e se for provocado, volta a cabeça bruscamente contra o agressor e morde-o, depois afasta-se rapidamente mas volta a atacar.

Contribuído por Ronaldo Hilgert
                                       

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