Peixes Ornamentais em Aquário

O Bom Filho à Casa Torna

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Como faz tempo que não contribuo para este ótimo site especializado, achei legal agora trazer um testemunho de minha experiência com a criação de ciclídeos. Dos 9 aquas que mantinha desde 2000 em minha casa (comportando 35 espécies e quase 300 indivíduos), atualmente remanesce apenas um, de 300 litros.

Nele, solitariamente vive meu último ciclídeo, uma Tilápia Buttikoferi (Zebrinha) de aproximadamente 35 cm, com 4 anos de idade. Arisco eremita, minha Tilápia é hoje um companheiro de saudades. Comprei-o quando ele ainda era um garotinho briguento de 2 cm. Ele e seus quatro irmãos faziam horrores no meu primeiro aqua, por coincidência o mesmo que hoje ainda persiste. Vi-lo crescer, matar minhas ampulárias, meus kois, dragões chineses, pitus, dentre outros de uma extensa lista de infelizes escolhas. Mas nunca senti raiva dele, ao contrário, ficava feliz em ver que o rapazote estava com uma saúde de touro, quer dizer, de tilápia.

Passou-se o tempo, e ele ali, crescendo, crescendo e matando, matando meus outros peixes. Até que chegou um momento que não era mais possível manter as 5 tilápias e as outras espécies no mesmo ambiente. Resolvi comprar outro aqua, de 120 litros. E nessa História foram mais 7 aquas, sendo o último, uma caixa d´água de 500 litros que mantinha no terraço do apartamento que vivia com meus pais e irmão. Terminei a faculdade e passei em concurso público. Transferido para Natal - RN, passei 9 meses e conheci outro louco por cilídeos africanos, o Dr. Emílio Hipólito, fervoroso visitante deste site.

Transferido novamente, morei em Recife - PE, por quase 2 anos. Foi tempo suficiente para ver minha prole definhar de saudades de mim, haja vista residirem todos em meu aqua, digo, quarto, na casa dos pais em João Pessoa. Apesar de todos lá estarem sempre alimentando meu ciclídeos, cuidando direitinho, puxando a fiação do gerador quando faltava energia para as bombas submersas, faltava o olhar crítico do dono, do pai de todos eles.

E apesar de retornar a Jampa quase todos os finais-de-semana, não era capaz de salvar meu peixinhos que, da falta que sentiam de mim, jaziam alguns por semana, chegando ao ponto de eu guardar luto semanal de até 5 indivíduos. Assim, desanimado, fui perdendo o gosto pela criação e pela aquariofilia. Das 5 tilápias, 2 morreram com mais de 2 anos de idade, outras 2 tive que soltá-las no zoológico da cidade. Mas o derradeiro permanecia, firme, forte e com muita fome...

Desfiz-me de todos os aquas, a exceção de primeiro, onde conviviam cerca de 19 ciclídeos africanos, um acari e meu zebrinha. Como o colega já estava bastante crescido (20 cm), decidi doá-lo a um amigo que tinha uma loja de animais, com o intuito e a esperança de que outro apaixonado por peixes tomasse conta dele e desse uma casa maior e mais confortável. Mas sempre que eu ia comprar ração para meus outros peixes, encontrava-o num aquário sujo, escuro e triste da última prateleira da loja, à espera de uma boa alma que o levasse para outro lugar, ou que o destino o carregasse para o paraíso dos peixes.

Passados quase 4 meses, lá estava o peixe que vi crescer, agora triste e solitário. Meu coração doía, mas não podia trazê-lo de volta porque meu aqua estava na mais perfeita harmonia e equilíbrio, situação jamais vista quando lá residia o amigo aquático. A tortura me corroía a alma, e minha buttikoferi, como que me conhecesse, fazia o maior auê no pequeno aquário que comportava seus mais de 20 cm. Mas um dia, ao vê-lo doente, cheio de fungos, quase “branco de algodão”, não suportei minha omissão: arrebatei-a do aqua da loja, levei-a para casa, e fiquei, por quase um mês, cuidando do filho que desprezei por tanto tempo.

Por milagre, ele se recuperou, apesar de ter ficado com algumas cicatrizes, verdadeiros troféus de guerra. Transferi-o para sua primeira casa. Aos poucos, meu terror do aquário deu cabo de todos os demais condôminos, a exceção de um acari de quase 20 cm, que vivia escondido entre as pedras. E essa é minha História. Hoje meu querido peixinho faz 4 anos de uma vida muito bem vivida, de lutas, vitórias e derrotas, acertos e erros. Minha nova aventura agora é convencer a esposa (casei em setembro/2003), a deixar eu trazer meu aqua para nosso novo apartamento. Acho que essa História será mais longa. Fica para a próxima...

Contribuído por Pablo Ricardo
                                       

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