Peixes Ornamentais em Aquário

O Selvagem da Poça

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Bem, "aquarista de carteirinha" que se preza jamais passa por uma poça d´água sem procurar por peixes, crustáceos, ou qualquer outra forma de vida. É um "mundinho" todo especial, que muitas vezes nos traz surpresas interessantes. Um dia, encontrei e resgatei dois pequenos acarás que agonizavam em uma poça de água lamacenta. Envolvi-os em um trapo umedecido na própria poça e levei-os o mais rapidamente possível para casa. Soltei-os em um aquário de cerca de 45 L, onde viviam alguns platys e espadas. Apenas um salvou-se, o outro morreu ainda na primeira noite. Desde o início, os peixes do aquário ficaram "perturbados". Evidentemente, eu sabia da notória voracidade dos ciclídeos. Entretanto, acreditava que o acará estava suficientemente enfraquecido para dar uma trégua aos outros peixes. Ledo engano!

Mal o acará passou a nadar equilibradamente, seu apetite foi restabelecido. Prontamente, apesar da disponibilidade de comida seca, ele começou a devorar os inocentes companheiros de aquário. Inicialmente, eu não encontrava quaisquer restos denunciadores dos ataques mas, após algum tempo, começaram a sobrar carcaças. Enfim, em pouco tempo o acará estava sozinho. Dizimada a população de peixes, o acará voltou-se para as plantas. Eliminadas todas as plantas, o meu hóspede resolveu fazer uma reforma no ambiente. Passou a revolver o fundo de cascalho, com o propósito de construir um abrigo. Abocanhava e cuspia o cascalho com disposição em direção ao vidro frontal. Ao final de algum tempo, ele conseguiu erguer uma barreira atrás da qual se escondia.

Tive que viajar a serviço, e passei cerca de 5 meses fora. Nesse período, meu irmão, sem nenhuma preocupação especial, zelou pelo meu hóspede. Não sei se ele deu comida ao peixe, ou mesmo se efetuou alguma troca de água. É mais provável que o aquário tenha sido deixado de lado. Ao retornar, para minha surpresa, lá estava o "danado", saudável e crescido. O aquário, é bem verdade, havia transformado-se em um ambiente inóspito. A água estava turva e mal-cheirosa. De imediato entendi a "mensagem". A situação já havia ultrapassado todos os limites. Peguei um balde, pus o acará dentro e soltei-o no mesmo local onde o havia recolhido. Êta peixinho resistente!

Contribuído por Álvaro Alves Pinto
                                       

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