Peixes Ornamentais em Aquário

Macrobrachium jelskii
Camarão-Fantasma, Camarão-Sossego

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Fotos & Comentários

Macrobrachium_jelskii_1.jpg (38kb)
Fotografia: Cleidson Silva

Nome: Macrobrachium jelskii
Comp AquapHTemp
Origem: América do Sul
3 cm 30 L 7.0 24°C

Comentário

Camarão-fantasma - Macrobrachium jelskii

Nome em português: Camarão-fantasma, Camarão-sossego
Nome em inglês: Agar River Prawn
Nome científico: Macrobrachium jelskii (Miers, 1877)
Origem: América do Sul, continental
Tamanho: machos adultos chegam a 3,5 cm
Temperatura da água: 20-28° C
pH: 6.5-7.8
Dureza: indiferente
Reprodução: especializada, em água doce
Comportamento: pacífico
Dificuldade: fácil

Apresentação
Dentre os chamados "camarões-fantasma" (camarões transparentes, pequenos e pacíficos), a espécie mais comum de ser coletada na natureza, ou vista no comércio brasileiro, é o Macrobrachium jelskii. São camarões transparentes e dóceis, possuindo pequenas pinças que utilizam para retirar alimento do ambiente. Por ser um camarão bastante robusto e prolífero, é indicado para aquaristas que estejam querendo iniciar sua criação de camarões ornamentais. Mas vale ressaltar que esses camarões são fonte de alimento natural para diversos animais em seus habitats, por isso qualquer peixe predador acabará por devorá-los.

Etimologia:
Macrobrachium vem do grego makros (longo, grande) e brakhion (braço); jelskii é uma homenagem ao naturalista polonês Konstanty Jelski (1837-1896) que coletou o primeiro espécime.

Origem
Este camarão tem ampla distribuição pela região tropical e subtropical da América do Sul, sendo encontrado em Trinidad, Venezuela, Guiana, Suriname, Guiana Francesa, Bolívia e Brasil. Recentemente também foi descrita na região norte da Argentina. No Brasil pode ser coletado em praticamente todos os seus estados. Vive em variados ambientes, desde lagos e represas até várzeas e rios com correnteza, pode ser coletado em variadas altitudes (0 a 1200 m), temperaturas e substratos.

Aparência
Geralmente são camarões pequenos, com cerca de 3,5 cm, embora alguns espécimes maiores tenham sido descritos, de até 5,6 cm. Possuem o corpo transparente, alguns com suaves padronagens, como estrias que variam entre o marrom avermelhado e preto, ou amarelo e laranja. Estas estrias ocorrem tanto em fêmeas quanto machos. Em algumas ocasiões o rostro do M. jelskii possui uma coloração dourada.

Uma característica bem típica desta espécie que ajuda na sua identificação é o aspecto do rostro, longo e curvado para cima. Porém, vale lembrar que não é uma característica exclusiva, outras duas espécies que podem ser vistas no Brasil possuem o rostro semelhante, o M. amazonicum e o M. rosembergii (exótica, o “camarão da Malásia”). Mas a sua diferenciação é fácil, pois ao contrário destas outras espécies, possui reprodução especializada, gerando poucos ovos grandes. Geralmente, os jelskii também têm o rostro mais reto na base, sem uma crista evidente.

Uma última observação importante, apesar deste rostro típico ser a peça central usada em qualquer chave de identificação, existem algumas populações de jelskii que possuem um rostro mais curto, atingindo, mas não ultrapassando a extremidade do escafocerito. Inicialmente descritas na bacia amazônica, parecem ser relativamente comuns no mercado, gerando bastante confusão na identificação da espécie.

Rostro (típico): Longo e delgado, curvado para cima. Margem superior com 5~8 dentes, os últimos dentes largamente espaçados, o primeiro dente atrás da órbita. Margem inferior com 5~6 dentes.

Quelípodos: Longos e finos, lisos e simétricos. Dedos 3/4 do comprimento da palma, carpo alongado, cerca de 1,2 a 1,5 vezes mais longo do que a palma. Mero do comprimento aproximado da quela.

Parâmetros de Água
É uma espécie bastante tolerante quanto às condições da água, por ter uma distribuição geográfica bem ampla. Muitos aquaristas mantêm indivíduos desta espécie em águas ligeiramente ácidas (pH em torno de 6,8 ), livres de impurezas e principalmente livre de substâncias nocivas aos camarões, como é o caso do cobre.

Dimorfismo Sexual
Diferenciação difícil, exceto pela presença de ovos. Machos e fêmeas têm dimensões semelhantes (machos são menores, ligeiramente), e o aspecto das garras também é igual. Fêmeas possuem pleuras abdominais arqueadas e alongadas, formando uma câmara de incubação, mas de forma mais sutil do que em outras espécies. Também podem ser diferenciados pela análise dos órgãos sexuais, mas isto é bem difícil em animais vivos.

Outra forma de se identificar uma fêmea é através de uma sela amarela que se forma próxima à região da cabeça. Porém, esta sela está ligada ao momento do ciclo de reprodução da fêmea, desta forma nem todas as fêmeas possuem esta característica.

Reprodução
O Macrobrachium jelskii é uma das espécies de camarão de água doce de reprodução em cativeiro mais fácil. Em um aquário bem estabilizado, onde haja bastante alimento e esconderijos, em poucas semanas (em algumas ocasiões dias) será possível ver fêmeas com ovos. São animais de reprodução especializada (ou abreviada), gerando poucos ovos de grandes dimensões, medindo cerca de 1,5 a 2,0 mm de diâmetro. As fêmeas adultas carregam de 20 a 40 ovos em seu ventre. Esses ovos possuem uma cor que varia entre o amarelo claro e o âmbar. Após a formação de uma massa amarelada em sua "sela" (próxima à região da cabeça da fêmea), os ovos "descem" para o abdome após cerca de uma semana. Normalmente o período de gestação varia entre 20 a 35 dias aproximadamente, e ao final deste período os ovos eclodem, gerando camarões que se assemelham a miniaturas de seus pais, com comportamento bentônico, passando a maior parte do tempo no substrato (ao invés de formas larvares natantes). Têm todo seu ciclo de vida em água doce, não necessitando de água salobra.

Desde pequenos já aceitam alimentação inerte, o que leva a uma alta taxa de sobrevivência da prole, mesmo em aquários domésticos.

Comportamento
É uma espécie ativa, se movimentando por todo o aquário, desde que não haja potenciais predadores. Bastante dóceis, podem ser mantidos com outros peixes e invertebrados, desde que estes sejam pacíficos. Costumam ser mais ativos durante a noite, portanto é muito comum vê-los junto aos vidros do aquário, nadando e procurando por alimentos.

Alimentação
Não são nada exigentes quanto à alimentação, comendo desde algas a restos de ração dos peixes. Alimentam-se de animais mortos, inclusive outros camarões. São bastante úteis como faxineiros, coletando restos de alimentos em locais inacessíveis a outros animais. Desta forma prestam um importante auxílio em aquapaisagismo, se alimentando de detritos e algas que se acumulam nos musgos.

Alguns indivíduos desta espécie podem também comer algumas plantas vivas, como é o caso do musgo de java, Hemianthus micranthemoides, e outras plantas de folhas mais sensíveis. Mas isso não é uma regra.

Lembre-se que a diversidade de alimentos ajuda a manter os camarões mais saudáveis e ativos.

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Fêmea com ovos recém-eclodidos.
Note o rostro, longo e delgado.
Fotografia: Rafael Senfft
Macrobrachium_jelskii_3.jpg (15kb)
Fêmea com ovos grandes e pouco numerosos,
indicando reprodução especializada.
Fotografia: Cleidson Silva
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Macrobrachium jelskii, close no rostro.
Fotografia: Rafael Senfft
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Imagem superior da carapaça, os espinhos hepático e antenal visíveis.
Fotografia: Rafael Senfft
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Outra fêmea com ovos. Um exemplo de variedade de rostro curto.
Fotografia: Rafael Senfft
Macrobrachium_jelskii_7.jpg (6kb)
Larva recém-nascida, primeiro estágio de zoea.
Fotografia: Rafael Senfft
Bibliografia:

Melo GAS. Manual de Identificação dos Crustacea Decapoda de água doce do Brasil. São Paulo: Editora Loyola, 2003.

Collins PA. New Distribution Record for Macrobrachium jelskii (Miers, 1877) in Argentina (Decapoda, Palaemonidae). Crustaceana. Vol. 73, No. 9 (Nov., 2000), pp. 1167-1169.

Silva IS. & Viana GFS. Bioecologia do camarão Macrobrachium jelskii (Miers, 1877) (Crustacea, Decapoda, Palaemonidae) na barragem do Jazigo, Município de Serra Talhada, Pernambuco. Trabalho apresentado na IX JEPEX (Jornada de Pesquisa, Ensino e Extensão), Recife, 2009.

Soares MRS. Biologia populacional de Macrobrachium jelskii (Crustacea, Decapoda, Palaemonidae) na Represa de Três Marias e no Rio São Francisco, MG, Brasil. Dissertação (Pós-Graduação em biologia animal). 74p. 2008.

de Almeida AO, Coelho PA, Luz JR, dos Santos JT, Ferraz NR. Decapod crustaceans in fresh waters of southeastern Bahia, Brazil. Rev Biol Trop. 2008 Sep;56(3):1225-54.

Pimentel FR. Taxonomia dos Camarões de Água Doce (Crustacea: Decapoda: Palaemonidae, Euryrhynchidae, Sergestidae) da Amazônia Oriental: Estados do Amapá e Pará. Dissertação (Pós-Graduação em biologia animal). 2003.

Garcia-Dávila CR, Magalhães C. Revisão taxonômica dos camarões de água doce (Crustacea: Decapoda: Palaemonidae, Sergestidae) da Amazônia Peruana. Acta Amazonica 33(4): 663-686. 2002.

Sampaio SR, Nagata JK, Lopes OL, Masunari S. Camarões de águas continentais (Crustacea, Caridea) da Bacia do Atlântico oriental paranaense, com chave de identificação tabular. Acta Biol. Par., Curitiba, 38 (1-2): 11-34. 2009.
Contribuído por Walther Ishikawa e Rafael Senfft
Comentário

O Macrobrachium jelskii é uma das várias espécies de camarão que são vendidas como camarão fantasma. Nos vários rios e lagoas do Brasil, onde são encontrados com certa facilidade, os moradores ribeirinhos costumam se referir a ele como camarão sossego, devido a seu comportamento dócil e pouca mobilidade.

É uma espécie muito interessante de se manter em um aquário, bastante dócil, fácil de criar, não são tímidos e não se escondem do dono do aquário; ajudam na limpeza do aquário, comendo algas marrons e filamentosas. Também comem ração para peixes, espinafre cozido e ração para peixes de fundo. Gostam de comer os detritos e algas que se acumulam nos musgos utilizados no aquapaisagismo.

As garras do Macrobrachium jelskii apresentam um tamanho e formato menores do que os pitus comuns, fazendo com que sejam inofensívos aos outros habitantes do aquário.

Além das pequenas garras, outra característica que ajuda na sua identificação é o formato do rostrum, que é o "chifre" serrilhado localizado entre os olhos do camarão. Nos Macrobrachium jelskii o rostrum é longo e curvado para cima, característica pouco comum para a maioria dos camarões e pitus.

Reproduz-se com bastante facilidade, pois sua reprodução é especializada, ou seja, os filhotes já nascem com o mesmo formato dos adultos. Diferente dos camarões de reprodução primitiva, onde os filhotes nascem na forma de larvas e precisam passar por diversas fases até chegar ao formato de um camarão adulto. Para que a reprodução ocorra, basta que a água tenha parâmetros estáveis e alimentação adequada.

Observação importante: Os Macrobrachium jelskii (como quase todos camarões) não suportam amônia, na presença deste elemento químico morrem em poucos minutos.

Contribuído por Minoru Nagayama
Comentário

Gosto demais destes camarões. Possuo 10 destes que coletei num lago de minha cidade. Muito fácil a criação. Ajudam muito na limpeza e comem os alimentos que não foram devorados pelos peixes. Caso algum peixe venha a morrer, estes o devoram sem deixar vestígios. Ótima opção para ajudar na limpeza de um comunitário e plantado.

Contribuído por Henrique Fernandes
Comentário

Realmente é muito bonito. Eles ficam com uma coloração de acordo com seu aquário e assim ficam praticamente camuflados. Tive alguns no meu aquário e eles ficaram grandes e bonitos, e também com belas pinças. Tem que tomar cuidado com os aquários comunitários pois os camarões podem se alimentar de pequenos peixes como neons, rosdotomos, lebistes e outros do mesmo tamanho, portanto evite essa combinação!

Contribuído por Cesar Nerillo

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