Peixes Ornamentais em Aquário

Nutrição Vegetal: Funções e Deficiências

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Texto

Introdução

Os nutrientes minerais são elementos obtidos, principalmente na forma inorgânica, do substrato. A grande área de superfície das raízes e a capacidade das mesmas em absorver íons inorgânicos em baixas concentrações no substrato fazem da absorção mineral pelas plantas um processo bastante eficaz. Após absorvidos pelas raízes, estes elementos são translocados para diversas partes da planta, onde são utilizados em numerosas funções biológicas.

A identificação destas deficiências não é simples e muito menos baseada apenas em características visuais, entretanto, a observação cuidadosa do plantado, seu funcionamento e as respostas visuais que as plantas fornecem podem ajudar a esclarecer o que está acontecendo. Informações relevantes são:

Sintoma observado? Manchas, Abscisão (queda), Necrose Branca ou Preta de tecidos, enrugamento de margens das folhas, necrose das extremidades de crescimento (meristema apical e raízes), enfraquecimento e clorose (amarelamento) do caule, tombamento do vegetal, padrões de crescimento anormais, enfim, tudo o que possa ajudar ou que seja notado como estranho ao comportamento natural do indivíduo;

Quando foi observado? Tempo que o sintoma começou a ocorrer ou foi percebido;

Onde foi observado inicialmente? Em folhas jovens, velhas ou em ambas. Nas margens da folha, em sua base, entre suas nervuras, no caule;

Como está sendo a evolução do quadro? Para onde está evoluíndo o sintoma, exemplo: "Clorose em folhas jovens que evolui para uma clorose geral do indivíduo."

Como citado acima, a identificação não é simples, e este artigo não pretende ser um guia para tal, entretanto, estas perguntas ajudam a fornecer um panorama geral sobre o que está acontecendo. A observação diária de seu plantado é fundamental. É a simbiose Aquariofilista-Aquário que possibilita a percepção necessária.

Devemos lembrar que nos aquários plantados estamos, normalmente, lidando com uma comunidade vegetal, nem sempre harmônica, assim sendo, é fundamental observar detalhadamente todos os indivíduos desta comunidade uma vez que eles podem responder de maneira diferente, ou não, ao mesmo tipo de stress.

Elementos minerais essenciais à nutrição vegetal

Critérios de essencialidade

  • Na ausência do elemento a planta não completa o seu ciclo de vida;

  • O elemento deve fazer parte de um composto VITAL ou reações CRUCIAIS, sendo parte de algum constituinte para o metabolismo vegetal;

  • Não pode ser substituído e deve agir DIRETAMENTE na vida da planta.

Classificação quanto a disponibilidade no vegetal:

  • Macronutrientes (1000mg/Kg de peso seco): N, P, S, K, Mg, Ca

  • Micronutrientes (menor que 100mg/Kg de peso seco): B, Co, Zn, Mg, Fe

Classificação quanto a função bioquímica:

  • Grupo 1 - Nutrientes que fazem parte de compostos de carbono - N e S
    O primeiro grupo de elementos essenciais é formado pelos compostos orgânicos das plantas, assimilando-os por meio de reações bioquímicas envolvendo oxidações e reduções.

  • Grupo 2 - Nutrientes que são importantes no armazenamento de energia e na integridade estrutural - P, Si e B
    Os elementos deste grupo encontram-se comumente presentes nos tecidos vegetais sob a forma de fosfato, borato e ésteres silicato, em que o grupo elementar está ligado ao grupo hidroxila de uma molécula orgânica.

  • Grupo 3 - Nutrientes que permanecem dentro do vegetal em sua forma iônica - K, Ca, Mg, Cl, Mn e Na
    Presentes nos tecidos vegetais na forma de íons livres ou ligados a substâncias tais como ácidos pépticos, presentes na parede celular do vegetal. De especial importância são seus papéis como cofatores enzimáticos na regulação dos potenciais osmóticos.

  • Grupo 4 - Nutrientes que estão envolvidos em reações redox - Fe, Zn, Cu, Ni, Mo
    Os elementos deste grupo desempenham importantes funções em reações envolvendo transporte de elétrons.

Elementos essenciais, suas funções e sintomas de deficiência

N (Nitrogênio)

Funções:
- Componente essencial do protoplasma e de enzimas.

Deficiência:
- Enfezamento ou nanismo (padrões de crescimento não usuais)
- Aparência esguia
- Amarelamento ou avermelhamento prematuro das folhas velhas

A deficiência de nitrogênio rapidamente inibe o crescimento vegetal. Caso esta deficiência persista, a maioria das espécies apresenta um quadro de clorose (amarelamento das folhas), sobretudo nas folhas mais velhas, próximas à base da planta. Sob severa deficiência de nitrogênio, estas folhas tornam-se completamente amarelas (ou castanhas) e caem. Folhas mais jovens podem não mostrar inicialmente tais sintomas pois é possível que o nitrogênio seja mobilizado a partir das folhas mais velhas. Assim, uma planta deficiente de nitrogênio pode ter folhas superiores verde-claras e folhas inferiores amarelas ou castanhas. Quando a deficiência de nitrogênio ocorre de for lenta, é possível que as plantas tenham caules pronunciadamente delgados e comumente lenhosos. Este caráter lenhoso deve-se, provavelmente, a um acúmulo excessivo de carboidratos que não serão utilizados na síntese de aminiácidos ou de outros compostos nitrogenados. Estes carboidratos não utilizados no metabolismo do nitrogênio podem, entretanto, ser utilizados na síntese de antocianina (pigmento responsável pela cor vermelha/roxa dos vegetais), ocasionando o acúmulo deste pigmento.

S (Enxofre)

Funções:
- Componente do protoplasma e enzimas

Deficiência:
- Semelhante a deficiência de N
- Clorose intercostal das folhas jovens

Muitos dos sintomas da deficiência de enxofre são similares aos da deficiência de nitrogênio, incluindo clorose, redução do crescimento e acúmulo de antocianinas. Tal similaridade deve-se a que ambos são constituíntes de proteínas. Entretanto, a clorose causada pela deficiência de enxofre aparece, em geral, inicialmente em folhas jovens e maduras, em vez de folhas velhas, como na deficiência de nitrogênio, porque, ao contrário do nitrogênio, o enxofre não é remobilizado com facilidade para as folhas jovens, na maioria das espécies. No entanto, em muitas espécies vegetais, a clorose por falta de enxofre pode ocorrer simultaneamente em todas as folhas ou até mesmo iniciar em folhas velhas.

P (Fósforo)

Funções:
- Metabolismo basal
- Síntese (fosforilação)

Deficiência:
- Perturbação dos processos reprodutores (floração retardada)
- Enfezamento
- Descoloração das folhas

Os sintomas característicos da deficiência de fósforo incluem o crescimento reduzido em plantas jovens e uma coloração verde escura das folhas, as quais podem encontrar-se malformadas e conter pequenas manchas de tecido morto (manchas necróticas).Da mesma que na deficiência de nitrogênio, algumas espécies podem produzir antocianina em excesso, conferindo as folhas uma coloração levemente arroxeada. Em comparação com a deficiência de nitrogênio, a coloração púrpura gerada pela deficiência de fósforo não está associada a clorose, podendo as folhas, apresentar uma coloração roxa fortemente esverdeade. Sintomas adicionais incluem a produção de caules delgado e a morte das folhas mais velhas. A maturação da planta também poderá ser retardada.

K (Potássio)

Funções:
- Efeito coloidal (promove hidratação)
- Sinergismo com: NH4+, Na+
- Antagonismo com: Ca++
- Ativação de enzimas (fotossíntese, nitrato-redutase)
- Osmorregulação (estômatos)

Deficiência:
- Balanço hídrico perturbado
- Extremidades secas
- Enrugamento das margens das folhas mais velhas
- Apodrecimento da raiz

Os primeiros sintomas vísíveis da deficiência de potássio é a clorose em manchas ou marginal, evoluíndo para a necrose, principalmente nos ápices foliares, margens e entre nervuras, estendendo-se posteriormente em direção à base. Como o potássio pode ser remobilkizado para as folhas mais jovens, esses sintomas aparecem inicialmente nas folhas mais maduras da base da planta. As folhas podem curvar-se e o caule deficiente em potássio é delgado e fraco, apresentando regiões internodais anormalmente curtas, acarretando o tombamento do indivíduo.

Mg (Magnésio)

Funções:
- Regulação da hidratação (antagonismo com Ca++)
- Metabolismo basal (fotossíntese, transferência de fosfatos)
- Sinergismo com: Mn, Zn.

Deficiência:
- Crescimento enfezado
- Clorose internerval das folhas velhas

Um dos sintomas característicos da deficiência de magnésio é a clkorose entre as nervuras foliares, ocorrendo primeiro nas folhas mais velkhas devido a mobilidade deste elemento dentro do vegetal.. Se a deficiência é muito grande, as folhas tornanm-se amarelas ou brancas. Um sintoma adicional da deficiência de magnésio pode ser a abscisão foliar prematura.

Ca (Cálcio)

Funções:
- Regulação da hidratação (antagonismo com: Ca+, Mg++)
- Ativador de enzimas (amilase, ATPase)
- Regulador do crescimento em extensão basal

Deficiência:
- Perturbação no crescimento por divisão (células pequenas)
- Extremidades secas
- Deformação das folhas
- Crescimento das raízes prejudicado

Sintomas característicos da deficiência de cálcio incluem a necrose das regiões meristemáticas jovens, como os ápices radiculares ou folhas jovens. A necrose em plantas de lento crescimento pode ser precedida por uma clorose generalizada e um curvamento, para baixo, das folhas. As folhas jovens podem parecem também deformadas. O sistema radicular de uma planta deficiente em cálcio pode apresentar-se acastanhado, curto e altamente ramificado. Pode haver redução severa no crescimento se as regiões meristemáticas da planta morrerem prematuramente.

B (Boro)

Funções:
- Transporte e metabolismo de carboidratos
- Metabolismo do fenol
- Ativação de reguladores do crescimento (crescimento de tubos polínicos)

Deficiência:
- Perturbação do crescimento (necrose no meristema)
- Reduzida ramificação das raízes
- Necroses no floema
- Perturbações da frutificação
- Excessiva formação de cortiça

Um sintoma característico da deficiência de boro é a necrose preta de folhas jovens e gemas terminais, ocorrendo nas folhas, principalmente na base da lâmina foliar. Os caules ficam anormalmente rígidos e quebradiços. A dominância apical pode ser perdida, tornando a planta altamente ramificada,tornando os ápices terminaisnecróticos devido a inibição da divisão celular. Podem apresentar anormalidades relacionadas a desintegração de tecidos internos.

Cl (Cloro)

Funções:
- Efeito coloidal (aumenta a hidratação)
- Ativação de enzimas (fotossíntese)

Deficiência:
- Enrolamento das folhas
- Engrossamento das raízes

Plantas deficientes em cloro desenvolvem murcha dos ápices foliares, seguida por clorose e necrose generalizadas. As folhas podem exibir crescimento reduzido, eventualmente assumindo umacoloração bronzeada "bronzeamento". Os íons cloretossão muito solúveis e geralmente disponíveis no solo porque a água do mar é carregada para o ar pela evaporação e transpoirtada pelo vento e distribuída pelo solo quando chove. Portanto, a deficiência de cloro é desconhecida nas planatas que crescem em habitats nativos ou agrícolas.

Fe (Ferro)

Funções:
- Metabolismo basal (reações redox)
- Metabolismo do N
- Sínteses da clorofila

Deficiência:
- Clorose internerval
- Formação de gemas apicais suprimidas

O sintoma característico é a clorose internervura. Ao contrário dos sintomas da deficiência de magnésio, no caso do ferro, tais sintomas aparecem inicialmente nasfolhas mais jovens porque o ferro não pode serprontamente mobilizado nas folhas mais velhas. Sob condições de deficiência extrema ou prolongada, as nervuras podem tornar-se cloróticas também, fazendo com que toda a folhatorne-se branca.

Mn (Manganês)

Funções:
- Metabolismo basal (oxidases, fotossíntese, transferência de fosfatos)
- Estabiliza a estrutura dos cloroplastos
- Metabolismo do N
- Síntese do ácido nucléico
- Sinergismo com Mg, Zn

Deficiência:
- Inibição do crescimento
- Clorose e necroses em folhas jovens
- Abscisão das folhas

Os sintomas associados a esta deficiência são a clorose internervura associada ao desenvolvimento de pequenas manchas necróticas, podendo ocorrer em folhas jovens ou maduras, dependendo das espécie vegetal e da taxa de crescimento.

Zn (Zinco)

Funções:
- Formação de clorofila
- Ativador de enzimas
- Metabolismo basal (desidrogenases)
- Degradação de proteínas
- Biossíntese de reguladores de crescimento (AIA)

Deficiência:
- Descoloração das folhas mais velhas
- Perturbações na frutificação

A deficiência de zinco é caracterizada pela redução do crescimento internodal e, como resultado, o crescimento rosetado apresentado pela planta, no qual as folhas um agrupamento circular que se irradia do substrato ou próximo do mesmo. As folhas podem apresentar-se pequenas e retorcidas, com margens de aparência enrugada. Em algumas espécies as folhas mais velhas podem apresentar clorose internervuras e consequentemente desenvolver manchas necróticas brancas.

Cu (Cobre)

Funções:
- Metabolismo basal (fotossíntese, oxidases)
- Metabolismo do N
- Metabolismo secundário

Deficiência:
- Extremidades secas
- Enrolamento das folhas
- Clorose em folhas jovens

O sintoma inicial de sua deficiência é a produção de folhas verdes escuras, que podem conter manchas necróticas. As manchas necróticas aparecem primeiro nosápices das folhas jovens e então estender-se em direção a base da folha, ao longo das margens. As folhas podem também ficar retorcidas ou malformadas. Sob deficiência extrema, as folhas podem cair prematuramente.

Mo (Molibdênio)

Funções:
- Fixação do N (redutases)
- Metabolismo do P
- Absorção e translocação de Fe

Deficiência:
- Perturbação do crescimento
- Escurecimento das margens das folhas

Oprimeiro indicativo desta deficiência é a clorose generalizada entre as nervuras e a necrose das folhas mais velhas.. Em algumas espécies,pode não existir a necrose, mas asfolhas podem tornar-se retorcidas e morrer. Existe a possibilidade que a formação de flores seja inibida ou as flores podem cair prematuramente.

Ni (Níquel)

Funções:
- Componente da urease (mobilização do N durante a germinação)
- Catalisa a hidrólise da uréia em NH3+ + CO2

Deficiência:
- Sintomas de deficiência pouco documentados.

Plantas deficientes em níquel acumulam uréia em suas folhas e, em consequência, apresentam necrose nos ápices foliares.





Referências:

Cruiziat, P. and Richter, H. 2002. The cohesion-tension theory at work. www.plantphys.net. Essay 4.2

Fisiologia Vegetal - Lincoln Taiz e Eduardo Zeiger

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