Peixes Ornamentais em Aquário

Peixes em Cativeiro: a Questão Moral

 A Era de Aquários > Artigos de Aquarismo

Texto

Introdução

Você já parou para pensar se o que está fazendo como aquarista é certo ou errado do ponto de vista moral? Já foi questionado com respeito a isso? Saberia defender a sua posição? Esse é um assunto bastante complexo que precisa ser resolvido dentro da cabeça de cada um, pois envolve muitos fatores culturais, religiosos e de criação familiar.

Pelo mundo afora vamos encontrar gente de todo tipo, desde os que não estão nem aí se um peixe está sendo maltratado ou não pois 'afinal é só um peixe', até os que santificam qualquer animal como sendo uma criatura 'divina' e portanto não cabe ao homem decidir sobre a vida e a morte deles. Entre estes dois extremos existe uma vasta faixa de possibilidades para você se posicionar moralmente, mas o problema é que muita gente acaba formando sua opinião ou 'moral', pendendo para um lado ou para outro, sem sequer ter um mínimo de informação que fundamente a sua posição ou, pior ainda, baseado em mitos e conceitos simplesmente errados. O dilema moral de um aquarista responsável e preocupado na verdade são dois:

1) Ao comprar os peixes não estamos sustentando um ramo de atividade que promove exploração da natureza? 2) Um peixe mantido em cativeiro, sem liberdade de ir onde quiser, não leva uma vida infeliz?

Neste artigo vou expor um pouco da minha própria visão no assunto, que obviamente vai pender em favor do aquarismo responsável e consciente que é a proposta geral deste site inteiro, mas espero também conseguir te dar alguns elementos menos subjetivos para você pensar e tirar as suas próprias conclusões.

Criação vs. Coleta

Para abordar corretamente o primeiro dilema, a primeira coisa importantíssima a se perceber é a distância ENORME que existe entre um peixe criado em cativeiro e um peixe coletado da natureza. Como infelizmente ambos os tipos são vendidos sem distinção nas lojas, é comum que o aquarista não perceba a importância desta diferença.

É preciso entender que no caso de criações, os peixes têm tanto a ver com a natureza e ecologia quanto aquele frango ou boi que você comeu no almoço de hoje! Esses peixes foram CRIADOS por nós humanos em aquários ou grandes tanques de reprodução, com o objetivo bem específico de serem vendidos para alguém que vai obter satisfação por tê-lo em sua casa, e em troca gerar receita ao seu criador e ao comerciante que o vendeu. A única diferença dele em relação ao frango ou ao boi é o objetivo final ao qual ele é destinado. Nesse aspecto os peixes ornamentais devem ser encarados no mesmo nível de cães e gatos domésticos. Acho que estão até em vantagem em relação ao frango e ao boi, exceto é claro os pobres peixinhos que vão parar em aquários totalmente impróprios (a discussão sobre mitos do aquarismo e o que é um aquário apropriado para cada espécie fica para outro artigo).

Felizmente, pelo menos no aquarismo de água doce, uma fração enorme das espécies mais comumente encontradas nas lojas já são criadas em larga escala, e portanto um aquarista procurando posicionar-se moralmente pode perfeitamente curtir o hobby comprando apenas espécies já criadas em cativeiro, equiparando o seu hobby com a criação de cães e gatos como já mencionado, e sem nenhum impacto na natureza. Uma boa loja de aquarismo sempre saberá dizer a você quais espécies das disponíveis provém de criadores comerciais e quais são coletadas.

Um argumento a mais e extremamente positivo para quem deseja posicionar-se desta maneira é que já existem diversas espécies de peixes que estão seriamente ameaçadas e algumas já até extintas na natureza, não por causa de coleta excessiva mas devido à redução ou destruição do seu ambiente natural pelo avanço da civilização em nome do 'progresso' (leia-se desmatamento, poluição, etc) e estas espécies só continuam existindo e tendo chances de um dia serem reintroduzidas na natureza devido à criação comercial delas em cativeiro para o aquarismo!

Já no caso do aquarismo marinho a situação geral se inverte...a esmagadora maioria das espécies ainda é coletada da natureza. Ainda estamos engatinhando no lento processo de compreensão e desenvolvimento das técnicas de como reproduzir peixes marinhos em cativeiro, por isso o nível de conscientização e responsabilidade do aquarista marinho deve ser bem maior.

Este segundo caso, dos peixes que pertenciam ao mundo natural e foram coletados para manutenção em aquários domésticos, inegavelmente afeta a natureza em maior ou menor grau. Ainda assim, não devemos imediatamente condenar a prática sem antes entender alguns aspectos importantes sobre ela. São necessários estudos cuidadosos para saber se a natureza está sendo capaz de repor essa perda sem prejuízo a longo prazo para ela. Isto é o que se chama desenvolvimento sustentável, um termo bastante atual em quase todos os ramos que fazem exploração de uma forma ou de outra dos recursos naturais.

A prática questionável acontece quando a exploração (no nosso caso, a coleta dos peixes) é feita demasiadamente ou descontroladamente, (por exemplo em épocas de acasalamento), o pode que levar certas espécies a reduzirem continuamente a sua população até passarem a sofrer risco de extinção. Felizmente existem estudiosos, entidades e órgãos governamentais (por exemplo o IBAMA) que dentre outras coisas estão fazendo esforços sérios e concretos para entender a situação de cada espécie, regulamentar melhor a atividade de coleta e garantir o desenvolvimento sustentável com respeito a elas. A Era de Aquários já foi inclusive consultada pelo IBAMA a esse respeito e estará sempre à disposição para ajudar no que puder.

Pois bem, mesmo o peixe sendo coletado, como eu já disse acima, se isso for feito de tal modo que a natureza seja capaz de repor a perda a longo prazo (e a natureza tem um capacidade fantástica de fazer isso, basta usar o bom senso e não abusar dela), é possível resolver o dilema moral da exploração dos recursos naturais, e ficar apenas com o dilema moral da qualidade de vida do peixe em si, que estará no cativeiro.

Liberdade e Felicidade

Neste ponto entra uma segunda confusão muito comum, principalmente entre leigos e conservacionistas radicais, que é a armadilha do "antropomorfismo". Essa palavra complicada significa transferir aos animais (ou qualquer outra coisa) nossos conceitos, características e valores humanos. Simplificado para o nosso caso em questão, é o seguinte: a gente tem um conjunto de valores, expectativas, metas, etc, características da raça humana, e quando essas coisas nos são reprimidas ou negadas, ficamos infelizes. Aí, olhamos para um animal e se ele parecer estar sendo negado um valor que para nós humanos é importante, automaticamente concluímos que ele só pode estar infeliz também.

Mas isso não é necessariamente verdade, é preciso saber se aquele valor ou espectativa é realmente importante para o animal em questão. Só pra dar um exemplo bem gritante, imagine alguém achar que um cachorro deve ser infeliz porque só bebe água a vida toda, e nunca experimentou nada delicioso como um guaraná ou um suco de laranja.

De maneira geral, as expectativas dos animais na vida são MUITO, mas MUITO menos complexas que a de nós humanos. Eu lembro de ter visto um estudo americano de comportamento de cães, demonstrando que o conceito de "paraíso" para um cão parece ser realmente nada mais que ficar deitado o dia todo, a vida toda, sem precisar fazer absolutamente nada, o que para um ser humano típico seria um suplício a longo prazo.

Voltando aos peixes em aquário, é muito importante não cair na armadilha de imaginar como "nós" nos sentiríamos se estivéssemos na mesma situação deles, mas sim buscar indícios de que eles estejam tendo as suas expectativas razoavelmente preenchidas. E isso obviamente não é muito fácil de identificar, mas de maneira geral podemos dizer que, se o peixe tem uma alimentação satisfatória, apresenta uma saúde boa, tem uma interação normal com os seus companheiros de aquário (podendo até formar pares e acasalar, mas isso não é um requisito necessário pois também não acontece para todos na natureza), e o aquário é tal que ele tem um desenvolvimento normal, então esse peixe está verdadeiramente "feliz".

Não estou aqui querendo dizer que peixes ou quaisquer outros animais sejam meros autômatos, escravos da programação dos seus instintos. Muito pelo contrário, como todo criador de peixes com alguns anos de estrada, posso identificar perfeitamente (sem 'antropomorfismo') a presença de humores individuais em muitos dos peixes que crio, conferindo a cada um uma personalidade única característica de um ser superior, inteligente e emocional. Mas repito, apesar do assunto ser atual e polêmico, me parece bastante razoável supor que os peixes em geral têm expectativas muito mais simples e básicas do que nós: comer, dormir, acasalar, e pouco mais. Ou seja, um peixe não vai daqui até alí na natureza porque ele quer regojizar na sua liberdade e no seu arbítrio de poder fazê-lo, nem porque ele quer apreciar o trajeto até lá enquanto discute com os companheiros o milagre da sua existência. Ele vai até alí porque quer ficar longe de potenciais predadores, achar comida, ou talvez uma companheira. Se a comida e a companheira estiverem aqui mesmo e os predadores não estiverem, melhor! Pra que ir até lá? "Liberdade" é um valor racional e bastante humano, é preciso tomar muito cuidado ao transferí-lo para um animal.

Enfim, já tendo passado por crises e até abandonado o hobby por um tempo no passado por causa de dilemas morais assim, baseado nos argumentos expostos aqui neste artigo hoje em dia eu tenho a convicção de que os meus aquários são tais que os peixes gostam de onde estão morando, e tenho também a convicção de que o esforço coletivo dos aquaristas responsáveis, em particular os que têm presença forte na internet, está tendo um efeito muito mensurável na avanço do nosso hobby. O importante é ter essa preocupação em mente todo dia ao olhar como estão nossos peixes, e sempre fazer o possível pra manter e melhorar no que puder.

Agradecimentos: Obrigado a Flávia Carvalho, Amaury De Togni, Damian Jones e William Banik pelas sugestões que ajudaram a melhorar esse texto!

Comentários de Leitores Comentário

Quero parabenizar a matéria. Sou aquarista há cerca de 6 meses e essa questão moral estava começando a surgir na minha cabeça, assim como um pequeno sentimento de culpa. A lúcida e imparcial matéria do colega esclareceu um dos principais argumentos dos que são contra o aquarismo: a liberdade dos peixes. Não podemos imbutir nos peixes o conceito de liberdade que temos, a não ser que haja um estudo científico que prove que peixes são infelizes em cativeiros.

Contribuído por Marcelo Creimer
Comentário

É sempre um prazer encontrar alguém que realmente se preocupe com a moral aplicada ao cotidiano. Felicito-lhe por tal. Porém, se não for muita presunção, gostaria de tecer alguns comentários. Primeiramente, o termo antropomorfismo não refere-se apenas a projeção de características humanas em animais, mas sim em qualquer coisa, como os deuses dos gregos, por exemplo. No mais, fazem-se necessárias ainda considerações a cerca da comparação entre peixes criados por aquaristas responsáveis e animais de corte, no caso o boi e o frango. É evidente que alguém que consome carne não tem motivo algum para aterrorizar-se com a criação responsável de peixes. Porém, o fato de uma pessoa criar um animal, e aqui refiro-me aos animais de corte, na minha modesta opinião, não lhe dá o direito de assassiná-lo posteriormente, como fica subentendido no primeiro texto. Por fim, reitero minhas felicitações ao senhor pela preocupação e o cuidado com os peixes e a natureza e, sem mais delongas, despeço-me. Obrigado pela atenção.

Contribuído por Adolfo Bueno Chica
Comentário

Quanto à coleta de peixes na natureza, a questão vai um pouco além do desenvolvimento sustentável ou da qualidade de vida que é dada ao peixe no aquário. Os métodos de coleta (susbtâncias que atordoam os peixes para facilitar) e as condições de transporte, são pontos a mais para pensarmos quando compramos peixes coletados. Afirmo sem medo de errar que a quantidade de peixes coletados é assustadoramente maior do que a de peixes que chegam às lojas, esta, muito maior do que a quantidade de peixes que sobrevivem aos primeiros dias na loja, e dos que enfim chegam e são mantidos vivos nos aquários. Aí sim entra a qualidade de vida dada ao peixe. Não digo que não se deva ou deva fazer a coleta. Tenho aquário marinho e dos quatro peixes que tenho, dois foram coletados, o que me causa um certo peso quando penso quantos foram coletados para eu ter um no aquário. A questão levantada sobre os órgãos que regulamentam e fiscalizam a prática é importantissima, assim como estudos que venham a possibilitar melhores condições em todas as etapas citadas, além da educação e conscientização daqueles que recolhem os animais do mar, para que o façam em épocas mais propícias e de forma mais segura.

Contribuído por Camilla Garcia
Comentário

Devo agradecer à tão rara iniciativa de escrever sobre o dilema moral, algo que parece não incomodar à maioria das pessoas que se dedicam a ter aquário em casa. Como um apaixonado por aquariofilia, tenho feito várias pesquisas a respeito e concordo com quase tudo escrito nesse texto, exceto pela tolerância parcial com captura de peixes. Acredito que num mundo de destruição radical do meio ambiente, devemos ser igualmente radicais em relação à aquisição de peixes extraídos da natureza. Peixes como neons, por exemplo, podem entrar em processo de extinção, todos sabem disso e continuam adquirindo milhares deles por dia em todo mundo durante todas as estações (inclusive durante os meses onde deveriam ser respeitados os períodos de reprodução). Isso sem contar com os milhares de peixinhos que morrem durante a captura e transporte, e sem dizer que vivemos em um país onde não podemos confiar em fiscalização ou em documentos emitidos por nossas instituições.

Contributed by Caio Fernandes
Comentário

Eu sou biólogo e atuo na área de preservação da vida marinha. Admiro muito os aquaristas pelo conhecimento, más qualquer forma de coleta sem a permissão do IBAMA é crime, por mais abundante que seja a espécie na natureza, qualquer coleta altera o equilíbrio.

Contribuído por Mauricio Piza
Comentário

Sou médica veterinária e atualmente trabalho para o Estado do Amazonas no município de Barcelos, como extensionista junto aos piabeiros (pescadores de peixes ornamentais). Navegando pela web, acabei encontrando este artigo, que realmente aborda um tabu na atividade. Porém, gostaria de aproveitar o espaço para acrescentar algumas informações na questão da captura de peixes ornamentais amazônicos (objeto de minha labuta no momento). Estes animais, no Brasil, são capturados por métodos artesanais, não sendo utilizado venenos, explosivos ou outros métodos agressivos aos peixes ou meio ambiente. Saem para pescar em canoas com remos, e usam redes chamadas rapichés e armadilhas chamadas cacuris para a captura. Existe uma mortalidade, porém, com orientação técnica adequada nos diversos níveis da cadeia, começando pelos piabeiros, tenho percebido que pode-se reduzí-la drasticamente (este pessoal nunca recebeu orientação técnica; alguma coisa já se escreveu sobre isso, mas mão na massa mesmo, quase nada).

Outro fator importante que deve ser salientado é que deve ser feito um manejo de igarapés, o que diminuiria a pressão de pesca de determinados locais para a população de peixes ter tempo de renovação e para manter a sustentabilidade ambiental da atividade. Também ocorre a época do defeso, onde durante alguns meses do ano a captura de determinadas espécies é proibida, em respeito ao período de reprodução destas espécies.

Esta atividade representa 60% de renda direta ao município e 90% da renda indireta (turismo, pesquisa, etc). Então deve-se perceber a questão socioeconômica envolvida (não estão derrubando árvores para venda de madeira ou desmatando para agricultura ou pecuária). O que deve acontecer, efetivamente, é o treinamento de todos os atores da cadeia (desde o piabeiro até o funcionário do exportador) para questões de manejo profilático (preventivo) para reduzir a ocorrência de enfermidades e/ou mortalidade. Sabemos que a recuperação de um peixe doente é difícil. O segredo está no manejo adequado.

Mas eu pessoalmente acredito na aqüicultura como futuro da atividade, onde os peixes são muito mais resistentes ao manejo. Estes piabeiros poderiam ser futuros aqüicultores, a desta forma a atividade poderia continuar gerando emprego e renda para a população do município. Porém, é importante que saibam que as técnicas de coleta, no caso de peixes ornamentais amazônicos, não causam danos ao meio ambiente.

Contribuído por Ana Paula de Araujo
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Peixes em Cativeiro - Visão Poética
Moram em um paralelepípedo reto-retângulo, com a face superior removível. É por aí que lhes dou comida. São coloridos e não param nunca. Nem quando dormem, param de bater as barbatanas miúdas, mas grandes o suficiente para manter-lhes o equilíbrio. Vivem em um ecossistema equilibrado. Troco um terço da água a cada semana, acrescentando de volta a água que sai da torneira mesmo. Comem quantas vezes eu lhes der comida. São coloridos e parecem felizes. E aí está a minha angústia. Eles parecem, apenas, não sei se são.

Adepto que sou à liberdade, e coração-mole que tenho ao ver seres em jaula, um dia chocou-me ouvir que o que faço com os peixes é o mesmo: aprisiono-lhes, tiro-lhes a chance de nadar com suas próprias barbatanas, a bem dizer. Como ter aquários e peixes é uma atividade que cultivo desde criança, na minha inocência e espontaneidade infantis nunca me julguei por isso. Parecia-me – e, por vezes, ainda me parece – que um aquário é um rio recriado, e que a transparência dos vidros, o obstáculo invisível à frente do peixe, nada se assemelha a jaulas. Mas o fato é que peixes não reclamam, e parecem satisfeitos – principalmente comendo a ração de vinte reais que lanço direto em suas bocas. Por não reclamarem, por não chorarem um choro alto e vazio no meio da noite, por viverem tão instintivamente, reconhecendo-me pela manhã, hora em que ligo a luz e artificialmente lhes entrego o dia e o desjejum, é que me angustio. Se gritassem e reclamassem a realização do seu destino livre – como fazem os pássaros engaiolados – talvez, num alívio, já os tivesse libertado. Mas não: a inocência e o instinto deles, a aceitação de tudo aquilo, me aprisona e me divide entre o prazer egoísta de tê-los e a possível dura hipótese de ter de devolvê-los a um córrego qualquer. Eles me negam a resposta e, por sua vez, me aprisionam, paralisado, na minha própria dúvida.

Contribuído por Leandro Costa
Comentário

Muito interessante a discussão. Parabéns ao autor do artigo e a todos que se manifestaram. Somente como complemento ao comentário da médica veterinária, acho importante destacar que, além da qualificação técnica que devem receber os piabeiros da Amazônia, é muito importante também, como medida de caráter sócio-econômico, tentar reduzir a exploração a que são submetidos. Outro dia assisti a uma reportagem mostrando que por cada Acará Disco que coletam (à noite, durante horas e horas, uma tarefa penosa) recebem, em média, R$ 8,00. Depois nós os compramos por cerca de R$ 100,00 nas lojas. Claro que para o consumidor final o preço será sempre maior mas é evidente que há distorção e exploração dos piabeiros nesse processo. Um abraço.

Contribuído por Antonio Gomes
Comentário

Antes de tudo, parabéns pela iniciativa de discussão deste tema. Independente de quaisquer conclusões a que qualquer um chegue, o simples fato de se trazer o assunto à tona já é louvável. Apesar das manifestações visivelmente esclarecidas dos demais, fico ainda com mais dúvidas que certezas. Quanto à primeira questão, da coleta e da criação, fico com a seguinte dúvida: será que o fato de a natureza ter condições fantásticas de recuperação me exime da responsabilidade de tê-la agredido? Será que não estou pensando simplesmente no bem estar da raça humana ao pensar em sustentabilidade a longo prazo apenas por que, se não pensar, os extintos poderemos ser nós?

Quanto à segunda questão: os animais vivem apenas para se alimentar e procriar, e isso pode ser mais facilmente feito em um ambiente de cativeiro. Nâo deveríamos, então, nos considerar criminosos ao deixar os demais indivíduos soltos na natureza, padecendo para conseguir estes bens tão simples, só porque eles são necessários ao bom equilíbrio da natureza e não queremos que a raça humana venha a padecer no futuro? Cuidado, amigos: argumentos razoáveis são uma coisa; justificativas são outra bem diferente.

Acredito que louváveis são as organizações que evitam a extinção dos habitats, e os indivíduos que procuram se informar e seguir uma vida mais sustentável, ainda que tudo isso só esteja em voga porque a coisa chegou a patamares insuportáveis. Uma espécie ter sido preservada porque tinham aquaristas interessados é só uma consequência de um hobby. Tenho aquário, procuro cuidar bem dos meus peixes, mas tenho plena consciência de que faço isso para meu próprio prazer e outros motivos egoístas. Tenho plena certeza que a natureza seria diferente se não mexêssemos nela, pois acredito que nenhum ato é impune, mesmo que abafado pela fantástica capacidade de recuperação da natureza. Bem assim, sem culpa. Mas também sem desculpa.

Contribuído por Ricardo

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