Peixes Ornamentais em Aquário

Alimentando Peixes: Quanto é o Bastante?

 A Era de Aquários > Artigos de Aquarismo

Texto

Este pequeno artigo é baseado na resposta que dei para um colega numa lista internacional de aquarismo, que fez exatamente a pergunta acima. Como eu não sou biólogo, algumas das coisas que escrevi abaixo não passam de suposições razoáveis, mas havia vários biólogos naquela lista e ninguém ficou indignado com o que escrevi, portanto não deve estar tão absurdo assim :-)

Como em quase tudo relativo ao aquarismo, simplesmente não existe uma regra definitiva sobre isso, porque depende de muitos fatores. Mas existem vários guias gerais que podem ser usados, baseados na experiência coletiva de aquaristas. A mais comum, que sempre funcionou para mim, é alimentar 2-3 vezes ao dia, o quanto seus peixes conseguem comer em menos de 3 minutos. Claro que existe uma boa tolerância aqui, mas em geral se depois de 5 minutos ainda tiver comida no aquário você deve diminuir a quantidade que está oferecendo. Isto funciona bem para aquários de principiantes, comunitários e outros tipos que tenham uma razoável mistura de espécies. Aquários de espécie única, de reprodução e de hospital exigem uma abordagem mais cuidadosa, baseada nas necessidades específicas dos seus habitantes.

Existem algumas coisas importantes a considerar sobre os hábitos alimentares dos peixes. Na natureza, a maioria deles em geral têm bastante dificuldade em encontrar comida, e através da evolução eles acabaram sendo "programados" para comer tudo que puderem enfiar na barriga sempre que encontram alguma coisa, já que eles nunca sabem quando virá a próxima refeição. Em um aquário, nós sabemos quando a próxima refeição deles virá. Portanto cabe a nós fazer o controle correto da quantidade. Alimentá-los até que pareçam satisfeitos não é uma boa idéia. Os peixes são adaptados para passar a maior parte do dia com fome e procurando por pequenos pedaços de comida. Um erro muito comum de iniciantes é superalimentar porque os seus peixes parecem estar desesperadamente suplicando por comida toda vez que o dono se aproxima, e ele resolve satisfazer a vontade deles a toda hora. Um peixe faminto é um peixe saudável...se eles não vêm até você quando você se aproxima, aí é que você deve começar a se preocupar.

Como outra defesa evolucionária, os peixes parecem se adaptar à disponibilidade de alimento, ajustando o seu ritmo de crescimento. Quando vivem em um local com comida mais abundante eles respondem crescendo mais, e vice-versa. Por causa disso, acredito que a quantidade efetiva de comida que você decide oferecer é menos importante do que manter o mesmo critério por toda a vida deles. Por isso a situação ideal seria montar o seu aquário, popular com peixes jovens, definir um bom critério de alimentação e manter-se fiel a ele.

Finalmente, tenha em mente que é muito mais fácil enfraquecer ou até matar um peixe alimentando ele em excesso (porque isso estraga a água do aquário) do que fazê-los morrer de fome. Eu conheço uma estória de um cara que tinha dois Oscars sozinhos em um aquário. Quando um deles matou o outro, ele ficou tão furioso que resolveu parar de alimentar o assassino e deixá-lo morrer. Depois de várias semanas sem nada para comer o Oscar ainda estava vivo, e o cara desistiu e resolveu levá-lo para uma loja. Os peixes podem tranquilamente ficar alguns dias sem comer, e muitos aquaristas defendem que submeter os seus peixes a jejum um dia por semana é até saudável para eles, porque lhes dá uma espécie de limpada por dentro.

Comentários de Leitores Comentário

Confirmo o caso do Oscar, pois o meu de três anos e 25 centimetros ficou (não sei como!) quase três meses sem se alimentar antes de morrer por problemas intestinais.

Contribuído por Matheus Zanchetta
Comentário

Gostaria de deixar um adendo e complementar sobre a questão do tempo de consumo para ingestão da ração (3 minutos). Vejo muitas pessoas comentarem a respeito, mas nem todas sabem a razão. Tanto flocos com pellets de rações para peixes devem ser consumidos no menor tempo possível, pois com o passar do tempo ocorre uma maior instabilidade dos nutrientes da ração. As vitaminas do complexo B, por exemplo, são hidrossolúveis e logo nos primeiros segundos em contato com a água já pode ocorrer solubilização com perda destes nutrientes. A vitamina C é ainda mais problemática, pois esta obrigatoriamente precisa estar protegida na ração em fórmulas fosfatadas para tornar-se mais estável de forma que reduza as perdas para o ambiente. Algumas pesquisas já sugerem que a ração deva ser consumida já nos primeiros 60 segundos para minimizar as perdas. :-)

Contribuído por Rodrigo G. Mabilia
Comentário

Gostaria de incluir uma informação a mais sobre alimentação, que apesar de óbvia para os veteranos causa surpresa aos iniciantes e muitos perguntam o porquê dos peixes deles não estarem comendo. Para qualquer tipo de alimento, vivo ou ração, você deve observar o tamanho do grânulo adequado para seu peixe. Exemplo: se você compra uma ração em flocos e tem peixes novos e pequenos como alguns tetras, paulistinhas, etc...você deve dar uma moída na ração antes de dar aos peixes. Você pode fazer isso esfarelando na mão mesmo, mas o ideal é que você amasse com algum objeto dentro do próprio recipiente do alimento, para evitar o contato manual. Vale reforçar a regra de dar em pequenas quantidades, até perceber que a voracidade deles deu uma diminuída e sempre retirar os restos de alimentos.

Contribuído por Alexandre Vieira
Comentário

Eu já tive problemas com alguns peixes que pararam de comer de repente. Não entendi porque isso estava acontecendo e resolvi parar de dar comida por um dia. O fundo do aquário já estava imundo (eu tenho o péssimo hábito de olhar pro fundo e dizer, amanhã eu limpo), então joguei uma pequena quantidade de comida. Que foi devorada em segundos. Concluindo: se seus peixes não querem comer, experimente simplesmente parar de dar comida por um tempo, mas não exagere. Quando as fezes dos seus amiguinhos estiverem começando a ficar transparentes e raras, é hora de voltar com a comida.

Contribuído por Arthur GC
Comentário

Em relação a alimentação, gostaria de relatar meu caso que ocorre no aquario de 70 L comunitario de água doce que montei. Coloquei diversas especies juntas, todos vivem muito bem, porém na hora de alimentação, alguns são bem mais apressados que os outros, então eu coloco a comida em pequenas quantidades em várias partes do aquário simultaneamente. Isto dá tempo dos mais lentos comerem também. Verifiquei que rações Tetra e Sera deixam a água mais limpa.

Contribuído por Helder Cherain
Comentário

Acho que a maior lenda que existe no aquarismo é a de que os peixes morrem de tanto comer. Isso não é verdade, eles morrem porque o excesso de comida acaba apodrecendo dentro do aquário, o que acaba por diminuir a quantidade de oxigênio dissolvido na água. É só reparar quando os alimentamos com artemia viva. Eles comem até se saciar, ficam gordos e bufando no fundo e ainda sobra artemia nadando no aquário. No dia seguinte estão todos vivos. Isso porque a artemia em excesso não apodreceu, pois ainda está viva!

Os comentários sobre o assunto que o Marcos Avila postou são bastante condizentes. Peixes têm um metabolismo bastante diferente dos dos mamíferos. Eles têm a temperatura do corpo controlada por fatores externos aos seus organismos, conseguindo sobreviver por longos períodos sem nenhuma, ou com muito pouca alimentação. Para se ter uma idéia, um réptil consome um décimo da quantidade de energia que um mamífero de mesmo peso necessita para sobreviver. Não sei em relação ao metabolismo de peixes, mas deve ser maior ainda, já que os peixes movem-se num meio onde a locomoção exige bem menos gasto de energia.

Na minha opinião nada impede que alimentemos nossos peixes à beira do excesso. Eles crescerão mais rapidamente e, se tiverem condições adequadas, se reproduzirão no aquário. O que não pode é deixar comida apodrecendo que aí eles morrem mesmo. Aí é que entram os invertebrados na história. Se existirem caramujos, e nos casos de água ácida, planárias no aquário, o excesso de comida será comido por esses e a água não perderá o oxigênio para fungos e bactérias que se desenvolvem às custas do excesso. O problema é que esses organismos são muitas vezes vistos como pragas na maioria das lojas de aquário, existindo até remédios para exterminá-los.

Outra coisa que gostaria de falar é sobre o preço das rações de peixes existentes no mercado. Façam a conta de quanto custa um quilo de qualquer uma delas, pode ser das mais baratas. Agora comparem com o que você põe na sua mesa todo dia! Deem uma lida nos ingredientes que as compõem. Nada ali custa tão caro. Eu, pessoalmente, há mais de dez anos, alimento meus peixes com ração de gato e cachorro moídas no liquidificador e peneiradas. Elas são mais oleosas, mas custam menos de um décimo de qualquer ração para peixes. O que utilizo com bastante frequência são as rações caseiras. Aquelas receitinhas onde mistura-se ovo, coração, cenoura, urucum (coloral), beterraba, um pouquinho de maizena e verduras. Bate-se no liquidificador, faz-se um cozido de tudo e congela-se em pequenas porções a serem dadas semanalmente ou a intervalos menores. Vale lembrar que isso tem que ser feito com bastante cuidado, pois é muito fácil ficar excesso de ração e matar os peixes. Por isso só aconselho pra quem tem os invertebrados de plantão no aquário.

Contribuído por Márcio
Comentário

Achei o artigo do Marcos Avila excelente. Há muitos anos utilizo um tipo de bóia para alimentar os peixes. É muito fácil fazer: corte 20 cm de mangueira de silicone (a mesma usada para aeração), cole as extremidades com Silastic e encoste a bóia num dos cantos. A própria água a manterá colada no vidro. Assim, os peixes se acostumam a comer em um lugar fixo, as rações não grudam nos vidros na linha da superfície da água e até os Coridoras e Otocinclus aprendem a procurar comida naquele local do fundo. Outra vantagem é que as ampulárias também aprendem que ali há alimento e não comem as plantas. Isso tudo sem falar no equilíbrio da água, pois não haverá restos de comida espalhados por todo o substrato.

Contribuído por Ulysses Ribeiro

Tem alguma experiência para partilhar nesta página? Não precisa registrar-se para contribuir! Sua privacidade é respeitada: seu e-mail é publicado somente se quiser. Todas as submissões são revisadas antes da adição. Escreva sobre suas experiências pessoais, sem abreviações, sem linguagem de chat, usando pontuação e capitalização padrão. Pronto? Então envie seus comentários!




oF <=> oC in <=> cm G <=> L