Peixes Ornamentais em Aquário

As Maravilhosas Coridoras!

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Texto

Corydoras sodalis Em um mundo com tantos peixes tropicais vistosos e multi-coloridos, pouco se fala sobre este verdadeiro tesouro do mundo aquático: a Coridora. Tidas por muitos como um simples peixe limpador, portanto o nome vulgar "limpa-fundo", as mais de 100 espécies que fazem parte do gênero Corydoras são muito mais do que isso. Seus hábitos e aparência únicos deveriam ser o suficiente para lhes garantir um lugar de destaque em nosso hobby, mas infelizmente não é isso que acontece. Por ser considerada um simples membro da "equipe da faxina", a pobre Coridora tem, na maioria das vezes, um status inferior e suas necessidades simplesmente ignoradas até mesmo pelo mais bem intencionado aquarista, sendo forçada a viver em aquários demasiadamente pequenos, com um substrato (material que cobre o fundo) inadequado e tendo que alimentar-se de restos de comida deixados pelos outros habitantes do aquário. Com esta matéria eu pretendo devolver à nossa amiguinha um pouco da glória e esplendor que ela já possui naturalmente, e quem sabe inspirar em nossos colegas aquaristas um novo respeito pela espécie.

Amazônia: Lar das Coridoras
As Coridoras são encontrados na Bacia Amazônica e até além, em praticamente todos os rios e tributários, em água geralmente ácida e mole, devido à deterioração de matéria vegetal proveniente das árvores da floresta. Mas devido à extensão da sua área de ocupação, algumas espécies são encontradas até em águas levemente alcalinas. Vivem junto ao fundo, onde encontram minhocas e vermes, seu alimento preferido, geralmente em cardumes que podem chegar a centenas. Podem ser encontradas em profundidades que variam desde 15 centímetros até muitos metros, em pequenos riachos ou grandes afluentes. Depois da época das chuvas na Amazônia, milhares de Coridoras podem ser encontradas em um único grupo nas lagoas formadas pelo recuo das águas que outrora invadiram a floresta fertilizando o solo.

As Coridoras no Aquário
Assim como a vasta maioria das espécies, mesmo as mais pequenas, a Coridora gosta de espaço, valendo a regra geral de quanto mais melhor. Apesar de a maioria das variedades mantidas em cativeiro não alcançarem mais que 5 ou 6 centímetros de comprimento, seu hábito de viver em cardumes deve ser respeitado, mantendo-se pelo menos 5 indivíduos. Você ficará maravilhado ao observá-las nadando juntas por todo o aquário, mesmo que sejam de espécies diferentes. Apesar de ser um peixe notavelmente mais ativo à noite, não apreciando portanto uma iluminação muito intensa, a Coridora é um peixe ativo também em outras horas, vasculhando todo o aquário, principalmente o fundo, em sua eterna busca por alimento. Nenhum cantinho é deixado intocado pelos seus órgãos bucais, chamados de papilas, extremamente úteis na localização de comida. É algo fascinante observar a maneira como elas encontram qualquer tipo de comida que chegue ao fundo, como que pairando sobre o local, e depois retirando o alimento até mesmo dos vãos mais apertados, por entre o cascalho. Uma Coridora faminta, contudo, não hesitará em subir à superfície para se alimentar.

Como vimos acima, em geral a água deve ter um pH neutro para levemente ácido e ser mole, para que suas Coridoras sintam-se em casa e mostrem sua coloração e comportamento naturais, ficando saudáveis e resistentes a doenças. Dependendo da espécie, Coridoras bem cuidadas vivem de 5 a 10 anos no aquário, ou até mais! A temperatura deve ser mantida acima dos 25°C, de preferência em torno de 27°C, mas também varia de espécie para espécie. Apesar de ser uma espécie muito resistente, mudanças bruscas de temperatura ou pH afetam a Coridora como qualquer outro peixe.

Além disso, a Coridora realmente serve o propósito de manutenção do fundo do aquário no que diz respeito a consumir restos de comida, mas não em relação a comer dejetos de outros peixes e dele próprio, como muita gente pensa erradamente. Este mito provavelmente é causado pelo fato de que a Coridora, em vez de cuspir um dejeto de volta pela boca como a maioria dos peixes, cospe-o para trás através das guelras e o aquarista desatento pode pensar que ela comeu o dejeto. Portanto, sendo este um peixe que passa quase toda a sua vida junto ao fundo, este deve ser mantido razoavelmente limpo, para que não ocorram infecções e outros problemas, principalmente atacando as papilas. Pela mesma razão, o cascalho utilizado em um aquário com Coridoras não deve ser pontiagudo ou cortante. Em seu habitat natural, o fundo é argiloso ou lamacento, e em alguns casos arenoso. A presença de plantas e pedras é muito benéfica, pois agem como filtros da luz que vem de cima, além de diminuírem o stress causado pela presença de outras espécies, por fazerem o papel de possíveis esconderijos.

Coridoras são totalmente pacíficas e inofensivas, e podem ser mantidas com praticamente todas as espécies de peixes que compartilhem suas preferências de pH e dureza da água. Ciclídeos extremamente grandes são desaconselháveis, não apenas pelo fato de que tentarão jantar nossos amiguinhos, mas também pela presença dos dois espinhos, extremamente afiados, nas barbatanas peitorais e dorsal, que servem como mecanismo de defesa. Ao tentar abocanhar uma Coridora, um grande ciclídeo pode acabar "fisgado", o que exigirá uma intervenção manual do aquarista para a remoção da Coridora, caso contrário morrem os dois peixes. Sabendo-se disso, é também desaconselhável a utilização das mãos para apanharmos uma Coridora, mas este mecanismo nunca é usado como arma de ataque.

Reprodução
A espécie de Corydoras mais comum em nosso hobby é com certeza a mais fácil de ser reproduzida em cativeiro. Trata-se da Corydoras aeneus, ou Coridora Bronze. Estas são criadas em larga escala em grandes açudes na Flórida, mas frequentemente procriam em aquários. Após longos períodos de "namoro" ou "cortejo", macho e fêmea se "abraçam", e um ovo é expelido. A fêmea então utiliza suas barbatanas ventrais como "mãos", pegando o ovo e grudando-o à uma superfície préviamente limpa, geralmente o vidro do aquário. Os ovos, por sua vez, são aderentes. Exatamente em que estágio ocorre a fertilização não é precisamente conhecido, sendo argumentado inclusive que a fêmea "bebe" o esperma do macho para fertilizar os ovos. De uma forma geral, no entanto, Coridoras não são um peixe de reprodução fácil. Para obter melhores resultados, aconselha-se manter muitos indivíduos em um aquário de boas proporções, alimentando-os com alimento vivo por uma semana e elevando-se a temperatura para 28°C. Ao final desta semana, elevamos a temperatura para 29°C e introduzimos água nova ao aquário, preferencialmente um pouquinho mais fria. Dizem que este processo resulta em uma simulação da chegada da estação das chuvas em seu habitat natural, o que induz fortemente a desova. Os alevinos são bem pequenos e devem ser alimentados com artêmia recém-eclodida. A maioria das Coridoras em nossos aquários, no entanto, é coletada diretamente dos rios, principalmente as espécies mais exóticas.

Limpa-Fundo é a Vovozinha!
Não, os restos dos alimentos em flocos que você dá aos seus peixes não são o bastante para que suas Coridoras vivam uma vida longa e saudável. Para que isso aconteça, é preciso certificar-se que alimento em quantidade e qualidade suficientes chegue ao fundo. Existem hoje no mercado vários tipos de comida específicas para peixes que habitam o fundo, em várias formas, como tabletes, pastilhas e cubos. Coridoras amam tubifex, mas a introdução destes no aquário pode acarretar na introdução de parasitas, portanto a forma desidratada, em cubos que podem ser grudados no vidro, é a mais indicada. Outra verdadeira preciosidade para eles são as minhocas, que no entanto devem ser oferecidas aos pedaços, e devidamente lavadas, evitando-se assim que possam fugir e se alojar no fundo, somente para morrer afogadas e poluírem a água. Coridoras não são comedoras de algas! Basta olhar para a boca delicada delas para ver que este outro mito também é um absurdo, elas jamais conseguiriam raspar algas como os Cascudos fazem. Lembre-se: não conte com suas Coridoras para manterem o fundo de seu aquário limpo, faça sua parte, sifonando detritos e restos de comida com frequência. A parte da Coridora será a de ficar constantemente revirando esses detritos do fundo, levantando-os de volta para a água e facilitando que eles sejam capturados pelos filtros mecânicos. E não se preocupe, pois mesmo passando a vida a vasculhar o fundo, Coridoras não cavam e não desenraizam as plantas.

Conclusão: meu peixe favorito!
Mesmo sendo inúmeras as espécies deste peixe, sua coloração varia pouco, entre tons de branco, marrom, prateado, verde-oliva, preto e cinza. Mas as variedades de padrões, com listras, pintas e diferentes tonalidades, o tornam um peixe muito atraente. Mas, pelo menos para mim, há algo de especial na Coridora que não sei bem explicar. Me parece algo humano, talvez pelo hábito de viver em cardume, ou pela maneira como movem os olhos, parecendo até mesmo "piscar". Tudo que sei é que é um peixe bonito, pacífico, alegre, simpático, e que exige pouco de seu mestre. Razões suficientes para que se torne um de seus favoritos.

Procure
As espécies de Corydoras mais comuns são a C. aeneus, C. julii e C. ambiacus. Há também a variedade albina da C. aeneus, extremamente bonita. As espécies mais raras e/ou valorizadas são a C. adolfoi, C. arcuatus e C. sterbai.

Comentários de Leitores Comentário

Peixes-Pedra

Ao invés de peixes-gato;
Haveria de chamar-lhes peixes-pedra;
Peixe-rocha por seu artifício de manter-se inerte horas à fio.

Algumas,
Na presença albina,
Forjam ausências.

Outras, no uso de parcas cores,
Mostram-se leopardos desprovidos de dentes.

Em frente ao meu aquário,
quase as esqueço,
ou simplesmente finjo.
Depois, reencontro uma ou outra.

Haveria de inverter os anúncios de peixes
Ao invés das cores, seus artífices;
Simplesmente:
O estado bruto das coridoras e seus artifícios.

Contribuído por Cristina
Comentário

No Paraná, onde eu moro, a espécie mais comum é a Corydoras paleatus (Pimenta). Ela é natural da região. Espécie facilmente encontrada nos rios Iguaçu e Tibagi.

Contribuído por Diego Rafael Gomes
Comentário

As coridoras (ou corydoras) são os peixes do meu aquário que, juntamente com os dojôs, mais gostam da ração para peixes de fundo. Achei muito interessante o texto das coridoras, principalmente essa tática da reprodução em cativeiro, de mudar a temperatura e adicionar água fria, simulando a mudança de estação. Como foi dito no texto, os peixes de fundo são geralmente classificados como menos importantes, por serem, em geral, menos vistosos e atraentes, além de ficarem mais escondidos no fundo. Mas eles também são peixes, e portanto, também são cidadãos respeitáveis do aquário; Além de fazerem trabalhos importantes! A visão do autor sobre o aspecto humano deste peixe, também foi notado por mim, e não sei daonde tirei essa visão delas, só sei que elas tem ares humanos mesmo, talvez isso seja mais um mistério da ciência aquariofilista!

Contribuído por Fábio W.
Comentário

São realmente incríveis! Apesar de ficarem no fundo e não apresentarem coloração viva, sempre chamaram a atenção em meu aquário. Talvez encantam o observador, e encataram a mim, por serem sempre um achado no meio a tantas outras espécies que imediatamente já se mostram junto ao vidro do aqua. O mais incrível foi ver que outras pessoas já tiveram a mesma impressão que imaginei ser só minha: algo humano nesses peixes, que acredito vir de seus olhos. Às vezes tenho a sensação de que elas estão me observando, e a maneira como movimentam os olhos nos dá a impressão de realmente piscarem! Sempre criei em meu aquário, são muito fáceis de lidar e recomendo que suas particularidades sejam respeitadas, como viverem em cardumes e gostarem muito de tocas no aquário. Vale muito a pena!

Contribuído por Fabrício Ferreira
Comentário

Gostei muito do artigo sobre as corydoras, também acho este gênero muito bonito e alegre. Como moro no centro da região amazônica (Manaus), aqui encontro praticamente todas as variedades destes belos peixes. Agora quanto ao tópico sobre a reprodução destes peixes, não sei bem se com corydoras funciona do mesmo modo mas li um artigo científico onde através de experimentos verificavam o que influenciava a reprodução do Hoplosternum littorale e acreditou-se que era a subida das águas por conta das chuvas mas, na verdade o que influenciava era a mudança da condutância. Como sou biólogo, e estagiei na EMBRAPA, fizemos um experimento utilizando sal como promotor da condutância da água e vimos que quando a condutância da água mudava, os peixes iniciavam o processo de reprodução. Então, pode ser que o fator chave não seja a entrada de água nova, mas sim a mudança da condutância da água. Um fato que precisa ser verificado. É isso. Até mais!

Contribuído por André Anselmo

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