Peixes Ornamentais em Aquário

Caracterização dos Biótopos Amazônicos
Um guia para a reconstrução da natureza da Amazônia em nossos aquários domésticos

 A Era de Aquários > Artigos de Aquarismo

Texto

Introdução

Um dos temas que acho mais interessante em aquariofilia é a montagem de biótopos, ou seja, a reconstrução da natureza em um aquário. É um grande privilégio ter a possibilidade de contemplar uma paisagem semelhante ao encontrada na natureza no recanto dos nossos lares. Além de proporcionar entretenimento, a exibição de biótopos em museus e zoológicos apresenta uma importante função na educação, principalmente ambiental. Por isso o avanço no conhecimento dos locais e das condições em que os organismos vivem é bastante importante.

Biótopo, do grego bio=vida, topos= lugar, significa o lugar onde a vida ocorre. Sendo assim, a caracterização de um biótopo envolve a discriminação das variáveis ambientais abióticas do lugar, como temperatura da água, coloração, pH, dureza, tipo de solo, incidência solar, profundidade etc.

Mas no caso da bacia Amazônica, que abrange cerca de 7 milhões de quilômetros quadrados em vários países da América do Sul, como delimitar o biótopo Amazônico? Além disso, considerando que na bacia Amazônica pode haver infinitas combinações de variáveis ambientais, ou seja, infinitos biótopos, como escolher uma região ou área como biótopo? Os rios afluentes, como o Negro ou Xingu, ou o próprio rio Amazonas poderiam ser usados para caracterizar um biótopo?

Se pensarmos na comunidade de peixes que habita um lago, por exemplo, facilmente poderemos reconhecer as condições em que eles vivem. Por outro lado, se pensarmos em uma montanha, poderemos conhecer a comunidade de espécies de besouros que habita aquela montanha. Note que existe uma relação dupla entre comunidade de espécies e o lugar onde elas vivem, ou seja, a definição de biótopo depende da referência que se adota. Por isso, é possível caracterizar o biótopo a partir de uma comunidade, como o lago dos peixes e também é possível caracterizar uma comunidade a partir de uma delimitação geográfica, como o exemplo dos besouros da montanha. No entanto, ao delimitar um biótopo por uma formação geológica ou climática corre-se o risco de agrupar espécies que não compartilham um relacionamento ecológico e que foram encontradas juntas porque são amplamente distribuídas. Neste caso, o biótopo perderia sua identidade como “unidade natural” por não apresentar espécies exclusivas (= endêmicas) e que estivessem inter-relacionadas com as demais. A saída é, primeiramente, delimitar uma comunidade coesa e discreta que seja uma unidade tanto evolutiva quanto ecológica (= área de endemismo) e a partir disso verificar no ambiente as condições em que eles vivem.

Um trabalho publicado recentemente apresenta uma hipótese de caracterização de áreas de endemismo na Amazônia para os peixes (Hubbert & Renno, 2006). O objetivo do trabalho foi entender a configuração espacial atual da comunidade de peixes de água doce na América do Sul. Os autores utilizaram uma metodologia chamada de PAE (Parsimony Analysis of Endemicity) que utiliza um algoritmo de parcimônia para agrupar áreas pelas espécies. O resultado é o reconhecimento de áreas que apresentam espécies exclusivas e que configuram unidades com identidade própria de espécies. Os resultados delimitaram quatro áreas de endemismos na Bacia Amazônica e uma nas Guianas (Fig. 1):

Biótopos Amazônicos
Figura 1. Áreas de Endemismo delimitados na Bacia Amazônica no estudo de Hubert & Renno (2006).

    1) [alAM] Alto Amazonas: compreende a parte oeste da Bacia Amazônica formada pelos rios Japurá (Colômbia, Brasil), Putumayo (Colômbia, Equador, Peru, Brasil), Maranon (Peru), Ucayali (Peru), Purus (Peru, Brasil), Madre de Dios (Bolívia, Brasil), Guaporé (Bolívia, Brasil) e Solimões (Peru, Brasil).

    2) [bxAM] Baixo Amazonas: compreende o Rio Amazonas (Brasil) e os seguintes afluentes: baixo do rio Branco (Brasil), baixo do rio Negro (Brasil), Madeira (Brasil), baixo do rio Tapajós (Brasil) e baixo do rio Xingu (Brasil).

    3) [OrNeg] Orinoco - Alto do Rio Negro: compreende a porção norte da bacia e os afluentes desembocam na margem esquerda do Amazonas. Alto do rio Negro (Colômbia, Venezuela, Brasil), cabeceira do rio Branco (Brasil), rio Orinoco (Venezuela).

    4) [ToXing] Tocantins – Xingu: compreende a porção sul da bacia e os afluentes desembocam na margem direita do Amazonas. É caracterizado pelo rio Juruena (Brasil), Teles Pires (Brasil), parte do rio Tapajós (Brasil), Xingu (Brasil), Araguaia (Brasil), Tocantins (Brasil).

    5) [Gui] Guiana: compreende os rios Essequibo (Guiana), Courantjin (Guiana), Suriname (Suriname), Maracaibo (Suriname?), Mana (Guiana Francesa), Sinnamary (Guiana Francesa), Apuruaque (Guiana Francesa) e Oiapoque (Guiana Francesa).

Objetivo

Assumindo que as áreas delimitadas no estudo¹ formam comunidades endêmicas e unidades biológicas com identidade de espécies, quais são as espécies de peixes ornamentais que ocorrem nestas áreas? O objetivo deste estudo é utilizar as áreas de endemismo para delimitar biótopos na Amazônia e verificar quais são os peixes ornamentais que ocorrem nestes biótopos. Com essas informações, a montagem de biótopos em aquários poderá ser feita com maior precisão em relação à localização geográfica e à composição da comunidade de peixes.

Metodologia

  • Delimitação dos biótopos: baseada na hipótese de Hubert & Renno (2006) de áreas de endemismo;
  • Fonte geográfica de peixes ornamentais: FishBase e Neodat II (Fig. 2)
  • Consulta dos nomes comuns de peixes ornamentais: A Era de Aquários > Peixes de Aquários (Galeria)
  • Número de espécies de peixes ornamentais: 69 spp. (Famílias Characidae, Cichlidae e Ordem Siluriforme).
  • Programa e dados ambientais: ArcGIS, mapas da América do Sul e principais rios.

Resultados

Comunidade de peixes ornamentais por Biótopo

Com a construção do banco de dados geográficos de peixes ornamentais foi possível a confecção do mapa com as localidades de ocorrência. Foram analisados dados espaciais de 69 espécies de peixes ornamentais das famílias Characidae e Cichlidae e da Orderm Siluriformes, totalizando 5.385 pontos de ocorrência na Bacia Amazônica e arredores (Fig. 2).

Biótopos Amazônicos
Figura 2. Pontos de ocorrência de 69 espécies de peixes ornamentais obtidos no FishBase e Neodat II.

O passo seguinte foi a realização da intersecção entre os pontos de ocorrência dos peixes e as áreas de endemismos assumidas como hipótese para a indicação de biótopos. Com isso, foi possível verificar as espécies de peixes ornamentais que ocorrem em cada biótopo.

O Alto Amazonas foi o biótopo que abrigou o maior número de espécies. Cerca de 70% (n=50) das espécies analisadas podem ser encontradas neste biótopo (Tab. 1), sendo 12 espécies exclusivas (25%) (Tab. 6). É a maior área de endemismo da Bacia Amazônica e alberga oito dos grandes rios, além dos afluentes de suas próprias bacias.

O Baixo Amazonas abrigou cerca de 60% (n=41) das espécies de peixes (Tab. 2), sendo apenas uma espécie exclusiva (Tab. 6). O biótopo compreende o Rio Amazonas propriamente dito, que antes de se encontrar com o Rio Negro é chamado de Solimões. Além disso, a área compreende partes baixas dos rios afluentes, tanto da margem direita quanto esquerda, até a foz do Amazonas.

O biótopo Orinoco – Alto do Rio Negro compreende a parte superior do Rio Negro e o Rio Orinoco. O Orinico é o principal rio da Venezuela. Ele forma uma bacia própria que, além da Venezuela, abrange parte da Colômbia. Na região do alto do Orinoco há um canal chamado Cassiquiare que une o Orinoco ao Rio Negro. É uma formação geológica rara e conecta duas importantes bacias da América do Sul. O biótopo contem 45 espécies de peixes ornamentais (65%) (Tab. 3), sendo 11 delas exclusivas do biótopo (25%).

O biótopo Tocantins – Xingu foi o que abrigou o menor número de espécies de peixes analisadas, 19 espécies (28%) e nenhuma exclusiva (Tab. 4).

O biótopo Guiana é o único que não faz parte da bacia Amazônica. É composto por oito grandes rios que correm para o norte e desembocam no Atlântico. Foram encontradas 33% das espécies analisadas (n=23) e nenhuma exclusiva (Tab. 5).

A hipótese de Hubert & Renno (2006) apresenta certa congruência com padrões de áreas encontrados para organismos terrestres na Amazônia. A presença de espécies exclusivas nos biótopos (Tab. 6) corrobora a hipótese das áreas como endêmicas.

Tabela 1. Lista de peixes ornamentais encontrados no biótopo do Alto Amazonas. (* espécies exclusivas do biótopo).

  • Abramites - Abramites hypselonotus Characidae
  • Acará Bandeira - Pterophyllum scalare Cichlidae
  • Acará Disco - Symphysodon aequifasciatus Cichlidae
  • Acará Disco - Symphysodon discus Cichlidae
  • Acará Festivo - Mesonauta festivus Cichlidae
  • Acará Severo - Heros severus Cichlidae
  • Acarictis Heckel - Acarichthys heckelii Cichlidae
  • Altispinosa (Papilocromis)* - Mikrogeophagus altispinosus Cichlidae
  • Apisto Agassizi - Apistogramma agassizii Cichlidae
  • Apisto Cacatua* - Apistogramma cacatuoides Cichlidae
  • Apisto Nijisseni* - Apistogramma nijsseni Cichlidae
  • Apisto Regani - Apistogramma regani Cichlidae
  • Apisto Trifasciata* - Apistogramma trifasciata Cichlidae
  • Aracu/Piau Pororoca - Schizodon vittatus Characidae
  • Borboleta - Carnegiella strigata Characidae
  • Cachara (Surubim, Pintado) - Pseudoplatystoma fasciatum Siluriformes
  • Cascudo Vela Leopardo - Glyptoperichthys gibbiceps Siluriformes
  • Chalceu - Chalceus macrolepidotus Characidae
  • Chilodus - Chilodus punctatus Characidae
  • Ciclídeo Esmeralda - Hypselecara temporalis Cichlidae
  • Coridora Bronze - Corydoras aeneus Siluriformes
  • Coridora Gambá* - Corydoras arcuatus Siluriformes
  • Coridora Guaporé* - Corydoras guapore Siluriformes
  • Coridora Leopardo* - Corydoras trilineatus Siluriformes
  • Coridora Melini - Corydoras melini Siluriformes
  • Coridora Panda* - Corydoras panda Siluriformes
  • Coridora Pigmeu - Corydoras pygmaeus Siluriformes
  • Coridora Sodalis* - Corydoras sodalis Siluriformes
  • Coridora Sterbai - Corydoras sterbai Siluriformes
  • Cruzeiro - Hemiodus gracilis Characidae
  • Jaraqui - Semaprochilodus taeniurus Characidae
  • Jurupari - Satanoperca jurupari Cichlidae
  • Neon Verdadeiro* - Paracheirodon innesi Characidae
  • Pacu Negro (Pirapatinga) - Piaractus brachypomus Characidae
  • Pacu Vermelho (Tambaqui) - Colossoma macropomum Characidae
  • Panque - Panaque nigrolineatus Siluriformes
  • Peixe Gato Raphael Listrado - Platydoras costatus Siluriformes
  • Peixe-Galho Rio Teffé - Rineloricaria teffeana Siluriformes
  • Peixe-Lápis Anão - Nannostumus marginatus Characidae
  • Peixe-Lápis de Três Faixas - Nannostomus trifasciatus Characidae
  • Peixe-Lápis de Uma Faixa - Nannostumus unifasciatus Characidae
  • Pimelodus Pintado - Pimelodus pictus Siluriformes
  • Piranha Branca/Preta - Serrasalmus rhombeus Characidae
  • Piranha Vermelha - Pygnocentrus nattereri Characidae
  • Pirarara - Phractocephalus hemioliopterus Siluriformes
  • Rosáceo* - Hyphessobrycon erythrostigma Characidae
  • Tetra Preto* - Gymnocorymbus ternetzi Characidae
  • Tucunaré - Cichla temensis Cichlidae
  • Uaru - Uaru amphiacanthoides Cichlidae
  • Semaprochilodus insignis Characidae


Tabela 2. Lista de peixes ornamentais encontrados no biótopo do Baixo Amazonas. (* espécies exclusivas do biótopo).

  • Abramites - Abramites hypselonotus Characidae
  • Acará Bandeira - Pterophyllum scalare Cichlidae
  • Acará Disco - Symphysodon aequifasciatus Cichlidae
  • Acará Disco - Symphysodon discus Cichlidae
  • Acará Festivo - Mesonauta festivus Cichlidae
  • Acará Severo - Heros severus Cichlidae
  • Acarictis Heckel - Acarichthys heckelii Cichlidae
  • Apisto Agassizi - Apistogramma agassizii Cichlidae
  • Apisto Macmasteri - Apistogramma macmasteri Cichlidae
  • Apisto Regani - Apistogramma regani Cichlidae
  • Aracu/ Piau Pororoca - Schizodon vittatus Characidae
  • Borboleta - Carnegiella strigata Characidae
  • Cachara (Surubim, Pintado) - Pseudoplatystoma fasciatum Siluriformes
  • Cascudo Vela Leopardo - Glyptoperichthys gibbiceps Siluriformes
  • Chalceu - Chalceus macrolepidotus Characidae
  • Chilodus - Chilodus punctatus Characidae
  • Ciclídeo Esmeralda - Hypselecara temporalis Cichlidae
  • Coridora Pigmeu - Corydoras pygmaeus Siluriformes
  • Curviceps* - Laetacara curviceps Cichlidae
  • Jaraqui - Semaprochilodus taeniurus Characidae
  • Jurupari - Satanoperca jurupari Cichlidae
  • Leporinus Bandado - Leporinus affinis Characidae
  • Pacu Negro (Pirapatinga) - Piaractus brachypomus Characidae
  • Pacu Prateado - Metynnis hypsauchen Characidae
  • Pacu Vermelho (Tambaqui) - Colossoma macropomum Characidae
  • Peixe Galho Rio Teffé - Rineloricaria teffeana Siluriformes
  • Peixe-Gato Raphael Listrado - Platydoras costatus Siluriformes
  • Peixe-Lápis Anão - Nannostomus marginatus Characidae
  • Peixe-Lápis de Três Faixas - Nannostomus trifasciatus Characidae
  • Peixe-Lápis de Uma Faixa - Nannostomus unifasciatus Characidae
  • Peixe-Lápis Dourado - Nannostomus beckfordi Characidae
  • Piranha Branca/Preta - Serrasalmus rhombeus Characidae
  • Piranha Vermelha - Pygocentrus nattereri Characidae
  • Pirarara - Phractocephalus hemioliopterus Siluriformes
  • Pratinha - Hemigrammus rodwayi Characidae
  • Rodóstomo - Hemigrammus rhodostomus Characidae
  • Tetra (Neon) Cadrdinal - Paracheirodon axelrodi Characidae
  • Tetra Bentosi - Hyphessobrycon bentosi Characidae
  • Tucunaré - Cichla temensis Cichlidae
  • Uaru - Uaru amphiacanthoides Cichlidae
  • Semaprochilodus insignis Characidae


Tabela 3. Lista de peixes ornamentais encontrados no biótopo do Orinoco – Alto do Rio Negro. (* espécies exclusivas do biótopo).

  • Abramites - Abramites hypselonotus Characidae
  • Acará Altum* - Pterophyllum altum Cichlidae
  • Acará Azul - Aequidens pulcher Cichlidae
  • Acará Bandeira - Pterophyllum scalare Cichlidae
  • Acará Festivo - Mesonauta festivus Cichlidae
  • Acará Severo - Heros severus Cichlidae
  • Acarictis Heckel - Acarichthys heckelii Cichlidae
  • Apisto Macmasteri - Apistogramma macmasteri Cichlidae
  • Apisto Rio Uaupes* - Apistogramma uaupesi Cichlidae
  • Apsito Cacatua* - Apistogramma cacatuoides Cichlidae
  • Apsito Regani* - Apistogramma regani Cichlidae
  • Borboleta - Carnegiella strigata Characidae
  • Cachara (Surumbim, Pintado) - Pseudoplatystoma fasciatumSiluriformes
  • Cascudo Vela Leopardo - Glyptoperichthys gibbiceps Siluriformes
  • Chalceu - Chalceus macrolepidotus Characidae
  • Chilodus - Chilodus punctatus Characidae
  • Coridora Adolfoi* - Corydoras adolfoi Siluriformes
  • Coridora Bronze - Corydoras aeneus Siluriformes
  • Coridora Melini - Corydoras melini Siluriformes
  • Coridora Metae* - Corydoras metae Siluriformes
  • Coridora Rio Salinas* - Corydoras habrosus Siluriformes
  • Coridora Tucano* - Corydoras tukano Siluriformes
  • Cruzeiro - Hemiodus gracilis Characidae
  • Jurupari - Satanoperca jurupari Cichlidae
  • Pacu Negro (Pirapatinga) - Piaractus brachypomus Characidae
  • Pacu Prateado - Metynnis hypsauchen Characidae
  • Pacu Vermelho (Tambaqui) - Colossoma macropomum Characidae
  • Panaque - Panaque nigrolineatus Siluriformes
  • Panaque Anelado* - Panaque maccus Siluriformes
  • Peixe Gato Raphael Listrado - Platydoras costatus Siluriformes
  • Peixe-Lápis Anão - Nannostomus marginatus Characidae
  • Peixe-Lápis de Três Faixas - Nannostomus trifasciatus Characidae
  • Peixe-Lápis de Uma Faixa - Nannostomus unifasciatus Characidae
  • Pimelodus Pintado - Pimelodus pictus Siluriformes
  • Piranha Branca/Preta - Serrasalmus rhombeus Characidae
  • Piranha Vermelha - Pygocentrus nattereri Characidae
  • Pirarara - Phractocephalus hemioliopterus Siluriformes
  • Pratinha - Hemigrammus rodwayi Characidae
  • Pristella - Pristella maxillaris Characidae
  • Ramirezi* - Mikrogeophagus ramirezi Cichlidae
  • Rodóstomo - Hemigrammus rhodostomus Characidae
  • Tetra (Neon) Cardinal - Paracheirodon axelrodi Characidae
  • Tetra Bentosi - Hyphessobrycon bentosi Characidae
  • Tucunaré - Cichla temensis Cichlidae
  • Xadrezinho Cauda-de-Lira* - Dicrossus filamentosus Cichlidae


Tabela 4. Lista de peixes ornamentais encontrados no biótopo do Tocantins - Xingu

  • Acará Bandeira - Pterophyllum scalare Cichlidae
  • Acará Disco - Symphysodon discus Cichlidae
  • Acará Festivo - Mesonauta festivus Cichlidae
  • Acará Severo - Heros severus Cichlidae
  • Apisto Agassizi - Apistogramma agassizii Cichlidae
  • Cachara (Surubim, Pintado) Pseudoplatystoma fasciatum Siluriformes
  • Chalceu - Chalceus macrolepidotus Characidae
  • Ciclídeo Esmeralda - Hypselecara temporalis Cichlidae
  • Coridora Bronze - Corydoras aeneus Siluriformes
  • Coridora Sterbai - Corydoras sterbai Siluriformes
  • Jurupari - Satanoperca jurupari Cichlidae
  • Leporinus Bandado - Leporinus affinis Characidae
  • Pacu Negro (Pirapatinga) - Piaractus brachypomus Characidae
  • Panaque - Panaque nigrolineatus Siluriformes
  • Piranha Branca/Preta - Serrasalmus rhombeus Characidae
  • Piranha Vermelha - Pygocentrus nattereri Characidae
  • Pirarara - Phractocephalus hemioliopterus Siluriformes
  • Tucunaré - Cichla temensis Cichlidae
  • Uaru - Uaru amphiacanthoides Cichlidae


Tabela 5. Lista de peixes ornamentais encontrados no biótopo da Guiana.

  • Acará Azul - Aequidens pulcher Cichlidae
  • Acará Bandeira - Pterophyllum scalare Cichlidae
  • Acará Festivo - Mesonauta festivus Cichlidae
  • Acará Severo - Heros severus Cichlidae
  • Borboleta - Carnegiella strigata Characidae
  • Cachara (Surubim, Pintado) - Pseudoplatystoma fasciatum Siluriformes
  • Chalceu - Chalceus macrolepidotus Characidae
  • Chilodus - Chilodus punctatus Characidae
  • Ciclídeo Esmeralda - Hypselecara temporalis Cichlidae
  • Coridora - Corydoras aeneus Siluriformes
  • Cruzeiro - Hemiodus gracilis Characidae
  • Jurupari - Satanoperca jurupari Cichlidae
  • Pacu Prateado - Metynnis hypsauchen Characidae
  • Peixe-Gato Raphael Listrado - Platydoras costatus Siluriformes
  • Peixe-Lápis Anão - Nannostomus marginatus Characidae
  • Peixe-Lápis de Três Faixas - Nannostomus trifasciatus Characidae
  • Peixe-Lápis de Uma Faixa - Nannostomus unifasciatus Characidae
  • Peixe-Lápis Dourado - Nannostomus beckfordi Characidae
  • Piranha Branca/Preta - Serrasalmus rhombeus Characidae
  • Piranha Vermelha - Pygocentrus nattereri Characidae
  • Pratinha - Hemigrammus rodwayi Characidae
  • Pristella - Pristella maxillaris Characidae
  • Tetra Bentosi - Hyphessobrycon bentosi Characidae


Tabela 6. Peixes ornamentais exclusivos por biótopo.

  • Altispinosa (Papilocromis) [alAM]
  • Apisto Cacatua [alAM]
  • Apisto Nijisseni [alAM]
  • Apisto Trifasciata [alAM]
  • Coridora Gambá [alAM]
  • Coridora Guaporé [alAM]
  • Coridora Leopardo [alAM]
  • Coridora Panda [alAM]
  • Coridora Sodalis [alAM]
  • Neon Verdadeiro [alAM]
  • Rosáceo [alAM]
  • Tetra Preto [alAM]
  • Curviceps [bxAM]
  • Acará Altum [OrNeg]
  • Apisto Rio Uaupes [OrNeg]
  • Apsito Cacatua [OrNeg]
  • Apsito Regani [OrNeg]
  • Coridora Adolfoi [OrNeg]
  • Coridora Metae [OrNeg]
  • Coridora Rio Salinas [OrNeg]
  • Coridora Tucano [OrNeg]
  • Panaque Anelado [OrNeg]
  • Ramirezi [OrNeg]
  • Xadrezinho Cauda-de-Lira [OrNeg]


Discussão

Um rio pode ser tomado como um biótopo?

Sim e não. Como vimos anteriormente, o critério para a delimitação de um biótopo depende da referência adotada (comunidade ou geografia) e por isso é subjetivo. Em relação às condições abióticas pode ser que ao longo de um rio elas se mantenham semelhantes. Contudo, quando se trata de rios de grande extensão a variação pode ser bastante grande. As condições podem ser totalmente diferentes na nascente, no percurso e na foz.

Em relação à composição de peixes, as áreas delimitadas no estudo¹ evidenciaram que o mesmo rio pode apresentar composição de peixes diferentes. Por exemplo, o Rio Negro apresenta uma fauna mais parecida com a fauna do rio Orinoco na sua parte alta, próxima à nascente. Já a parte baixa do Rio Negro apresenta uma íctiofauna mais parecida com a do Rio Amazonas.

Entretanto, existem rios que estão totalmente contidos nas áreas de endemismo. É o caso de alguns rios do Alto Amazonas, os rios Tocantis e Xingu ([ToXing]) e outros. Esses casos são interessantes, pois tanto o critério geográfico quanto o da composição da comunidade podem ser adotados na delimitação do biótopo.

Por isso, a delimitação de um biótopo depende do critério adotado. Além disso, a extensão do rio e a sua trajetória podem influenciar na heterogeneidade de condições ambientais encontradas.

Hierarquia de Biótopos

A classificação de biótopos é influenciada pela a escala de referência e elas podem ser hierarquizadas. Por exemplo, poderíamos ir a um extremo e adotar o biótopo “Planeta Terra”. Colocaríamos dentro de um aquário todos os peixes possíveis e em todas as condições imagináveis. Ou poderíamos ir ao outro extremo e montar um biótopo “margem esquerda do rio Ribeirinho à 50 metros da nascente”. O que quero dizer é que os biótopos dependem da escala e por isso, podem conter outros biótopos.

No caso da Bacia Amazônica, podemos montar os biótopos com mais de uma área de endemismo. Por exemplo, existem espécies de peixes que ocorrem no Alto Amazonas e no Baixo Amazonas, por que não montar um biótopo Alto-Baixo Amazonas? Ou tomar as espécies de ampla distribuição e montar um Amazônico sensu latu? Isso tudo é possível.

Também é possível delimitar os sub-biótopos, ou seja, regiões mais específicas e detalhadas dentro de um biótopo. Só que para isso é necessário que tenhamos mais informações disponíveis, tanto da comunidade de peixes, plantas quanto das condições do rio. A seguir há um pequeno estudo do caso do biótopo “Alto do Rio Negro” e informações para a montagem.

Tabela 7. Peixes ornamentais encontrados em mais de uma área.

  • Abramites [alAM] [bxAM] [OrNeg]
  • Acará Azul [OrNeg] [Gui]
  • Acará Bandeira [alAM] [bxAM] [OrNeg] [ToXing] [Gui]
  • Acará Disco [alAM] [bxAM] [ToXing]
  • Acará Festivo [alAM] [bxAM] [OrNeg] [ToXing] [Gui]
  • Acará Severo [alAM] [bxAM] [OrNeg] [Gui]
  • Acarictis Heckel [alAM] [bxAM] [OrNeg]
  • Apisto Agassizi [alAM] [bxAM] [ToXing]
  • Apisto Macmasteri [bxAM] [OrNeg]
  • Apisto Regani [alAM] [bxAM]
  • Aracu/ Piau Pororoca [alAM] [bxAM]
  • Borboleta [alAM] [bxAM] [OrNeg] [Gui]
  • Cachara (Surumbim, Pintado) [alAM] [bxAM] [OrNeg] [ToXing] [Gui]
  • Cascudo Vela Leopardo [alAM] [bxAM] [OrNeg]
  • Chalceu [alAM] [bxAM] [OrNeg] [ToXing] [Gui]
  • Chilodus [alAM] [bxAM] [OrNeg] [Gui]
  • Ciclídeo Esmeralda [alAM] [bxAM] [ToXing] [Gui]
  • Coridora Bronze [alAM] [OrNeg] [ToXing] [Gui]
  • Coridora Melini [alAM] [OrNeg]
  • Coridora Pigmeu [alAM] [bxAM]
  • Coridora Sterbai [alAM] [ToXing]
  • Cruzeiro [alAM] [OrNeg] [Gui]
  • Jaraqui [alAM] [bxAM]
  • Jurupari [alAM] [bxAM] [OrNeg] [ToXing] [Gui]
  • Leporinus Bandado [bxAM] [ToXing]
  • Pacu Negro (Pirapatinga) [alAM] [bxAM] [OrNeg] [ToXing]
  • Pacu Prateado [bxAM] [OrNeg] [Gui]
  • Pacu Vermelho (Tambaqui) [alAM] [bxAM] [OrNeg]
  • Panaque [alAM] [OrNeg] [ToXing]
  • Peixe Galho Rio Teffé [alAM] [bxAM]
  • Peixe Gato Raphael Listrado [alAM] [bxAM] [OrNeg] [Gui]
  • Peixe-Lápis Anão [alAM] [bxAM] [OrNeg] [Gui]
  • Peixe-Lápis de Três Faixas [alAM] [bxAM] [OrNeg] [Gui]
  • Peixe-Lápis de Uma Faixa [alAM] [bxAM] [OrNeg] [Gui]
  • Peixe-Lápis Dourado [bxAM] [Gui]
  • Pimelodus Pintado [alAM] [OrNeg]
  • Piranha Branca/Preta [alAM] [bxAM] [OrNeg] [ToXing] [Gui]
  • Pirarara [alAM] [bxAM] [OrNeg] [ToXing]
  • Pratinha [bxAM] [OrNeg] [Gui]
  • Pristella [OrNeg] [Gui]
  • Rodóstomo [bxAM] [OrNeg]
  • Tetra Bentosi [bxAM] [OrNeg] [Gui]
  • Tetra (Neon) Cadrdinal [bxAM] [OrNeg]
  • Tucunaré [alAM] [bxAM] [OrNeg] [ToXing]
  • Uaru [alAM] [bxAM] [ToXing]


Construção de Biótopos: o caso do Rio Negro

Tendo o conhecimento das espécies que ocorrem em um determinado local já é um bom passo para a construção de um biótopo bem sucedido. Contudo, isso não é tudo, é apenas o começo. Como vimos antes, o biótopo em si é constituído por todas as variações abióticas do local. Agora, temos o conhecimento dos peixes que ocorrem lá, mas não sabemos quase mais nada sobre o local: quais são os parâmetros da água (temp, pH, dureza, coloração)? O rio sofre oscilações de nível ao longo do ano? Quais são as conseqüências disso? O rio é raso ou profundo? Que plantas aquáticas habitam o local? Como é o fundo do rio (areia, cascalho)?

É evidente que a reconstrução perfeita de um biótopo nunca será atingida. Mas é certo que podemos pesquisar e avançar no detalhamento desses aspectos e montar um biótopo bem semelhante ao encontrado na natureza.

O biótopo do Rio Negro é o mais famoso em reconstruções pela sua característica de apresentar águas escuras com aspecto de chá (blackwater). Mas não é só isso. O Rio Negro sofre oscilações no nível de água durante o ano. Entre o ponto mais baixo da seca e o mais alto da cheia, a variação é de 9 a 12 metros. A conseqüência disso é que na época de cheia as árvores ficam submersas e o fundo do rio se torna uma floresta inundada. É possível encontrar troncos, galhos e folhas caídas no fundo. Na seca é possível visualizar as bancadas e praia de areia que se formam às margens do rio. A água é pobre em nutrientes e ácida devido à decomposição de matéria orgânica. Se tomarmos os parâmetros de tolerância dos peixes que ocorrem lá podemos constatar que o biótopo pode ter o pH entre 4,95 e 6,55, dureza entre 2,7 e 12,7°dH e a temperatura entre 23°,8 e 27,8°.

Na delimitação do biótopo Orinoco – Alto do Rio Negro o Rio Negro não está inserido na sua completude nesse biótopo. A parte do baixo Rio Negro pertence ao biótopo Baixo Amazonas. Isso significa que, em relação a composição de espécies, a região mais próxima da nascente do Negro é diferente em relação a sua foz. Por isso, ao delimitar o biótopo Alto do Rio Negro foi utilizado o critério da comunidade de peixes da área e o critério geográfico do “Rio”. A intersecção desses dois critérios possibilitou a construção de um biótopo com identidade própria de espécies e um componente geográfico bem delimitado. Podemos, então, considerar que este seja um sub-biótopo do Orinoco – Alto do Rio Negro.

Considerações Finais

  • As análises foram feitas com dados atualmente disponíveis. Por isso, os resultados podem se modificar assim que novas coletas e informações forem futuramente adquiridas.
  • Para a região Amazônica, o critério da composição da comunidade para delimitar o biótopo é mais indicado, pois consiste em unidades espaciais de mesma história evolutiva e os rios apresentam grande heterogeneidade ambiental.
  • Quando possível, a intersecção dos dois critérios (comunidade e geografia) é o mais indicado na reconstrução fiel da natureza.

Referências

1 - Hubert, N. & J. F. Renno (2006) Historical Biogeography of South American freshwater fishes. Journal of Biogeography, 33: 1414-1436

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